Investigar o passado não é revanchismo; é prevenir o futuro

Por Alexandre Melo

ARTIGO PUBLICADO EM 26 DE MARÇO DE 2026

A alegria do início de uma nova era para o Hospital de Gaspar na última sexta-feira, dia 24, quando aqui esteve o governador para um ato histórico de transferência de gestão para a Fundação Hospitalar Blumenau contrasta com a presença do GAECO nos corredores da instituição quatro dias depois. O que deveria ser um local de cuidado e acolhimento é o retrato amargo de que a recuperação física e financeira do hospital não pode caminhar desacompanhada de uma investigação rigorosa sobre os motivos que a levaram à quase falência.

Não basta trocar a mobília pintar as paredes e ter uma nova gestão, se suspeitas de corrupção rondam os arquivos secretos da Casa de saúde gasparense. Afinal, é o nosso dinheiro que supostamente foi desviado. Investigar o passado não é revanchismo; é o único caminho para garantir que os erros não se repitam e culpados sejam punidos. A comunidade gasparense, que tantas vezes se uniu para ajudar o hospital, merece respostas claras de quem usou, no passado recente, a instituição para a prática criminosa de corrupção. A vida humana, que ali é salva todos os dias, não pode ser trocada por dinheiro.

A corrupção provoca escassez de recursos para investimentos, que se traduzem em filas para consultas e exames, mal atendimento e profissionais sobrecarregados.
O novo ciclo que o hospital, felizmente, passa a viver será verdadeiramente transformador se for alicerçado na integridade, deixando para trás as práticas que quase o levaram ao colapso, e isso só se alcança com a punição aos culpados.