As lições tiradas do "Caso Orelha"
Muitas vezes, estatísticas frias não geram o mesmo impacto que a triste e real história de um animal. Orelha, o cão espancado e massacrado brutalmente por quatro adolescentes de classe alta em Florianópolis, acabou se tornando o símbolo de uma luta diária que é de poucos, que só sai detrás da cortina quando um caso como este atinge repercussão nacional.
Diferente de outros episódios de maus-tratos a animais que acabam no esquecimento, este teve uma resposta popular rápida. Uma verdadeira comoção social. E a intervenção certeira da Polícia Civil (DPA/DEIC) na investigação que identificou os quatro adolescentes infratores e já indiciou três adultos ligadas às famílias por coação a testemunhas.
Houve, ainda, manifestações e atitudes de autoridades públicas e entidades de proteção animal para garantir que os agressores não fiquem impunes, embora a lei para menores infratores seja branda demais, e até se levante a questão da maioridade penal no Brasil.
A repercussão também mostra o lado forte da proteção animal em Santa Catarina. Isso demonstra que a sociedade catarinense está cada vez menos tolerante com maus-tratos de animais.
E o impacto do caso repercutiu em outras cidades, como Gaspar, que se prepara para criar o Código de Bem-Estar Animal, de certa forma, uma resposta institucional para evitar que casos como o do cão Orelha fiquem sem punição administrativa ou que a fiscalização falhe em nossa cidade. É preciso endurecer as leis.
O “Caso Orelha” é uma história triste, mas que serve para reforçar a importância de canais de denúncia eficientes e de leis municipais que permitam ao poder público intervir.
A repercussão nas redes sociais serviu para tirar o tema da “bolha” dos protetores e levá-lo para o debate com toda a sociedade.
Orelha era um cão amado por toda uma comunidade. E a sua morte não pode ter sido em vão. A sociedade precisa entender essa realidade e se mobilizar para que episódios como o do Orelha não voltem a acontecer. Que as pessoas não repitam mais: “- era só um cão”, pois de fato é uma vida. E uma vida é sempre importante.