A força da piscicultura em Gaspar
Muitos produtores rurais viram na criação de peixes a oportunidade de agregar valor à propriedade. É o caso do Pesqueiro São José
Com forte tradição na piscicultura, o município de Gaspar tem consolidado os pesque-pagues como uma das principais atrações do turismo rural local. A atividade, desenvolvida há décadas, alia lazer, gastronomia e produção de alimentos, atraindo milhares de visitantes todos os anos.
Atualmente, a cidade conta com mais de 10 pesque-pagues em funcionamento, que juntos recebem mais de 50 mil visitantes por ano. Além de oferecerem a experiência da pesca recreativa, esses espaços também se destacam pela gastronomia baseada em peixes frescos, onde são servidas porções, petiscos, acompanhamentos e, aos domingos, buffet livre, além de um completo serviço de bar e área de jogos.
Um destes pesque-pagues está próximo de completar 30 anos. O agricultor Blasius Knoth nasceu e foi criado no bairro Arraial do Ouro. Plantar e criar animais sempre foi o sustento da família; assim, ele criou seus cinco filhos. Há 26 anos, decidiu diversificar as atividades na propriedade com a instalação do Pesqueiro e Restaurante São José. Hoje, são 3 mil m² de lâmina d’água, de onde são retiradas, em média, 45 toneladas de peixes por ano, dos tipos tilápia, carpa, pacu, matrinxã, jundiá, catfish e traíra.
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De pai para filhas
Atualmente, o pesque-pague é administrado pelas filhas de Blasius. Juliana Knoth Theiss, hoje gestora do pesqueiro, vive ao redor das lagoas desde os nove anos de idade. Ela conta que viu o pai na lida da lavoura, criando gado leiteiro e vendendo bananas.
“A ideia inicial era criar e vender peixes para outros pesqueiros da região. Porém, quando o peixe chegou à idade adulta, meu pai teve dificuldade em comercializar, porque os pesqueiros compravam em quantidades muito pequenas e havia muito peixe nas lagoas. As pessoas passavam na estrada, viam o meu pai na lida com os peixes e perguntavam se podiam pescar. Meu pai dizia que sim, e assim a notícia foi passando de um para o outro, até que meu pai pensou: “Por que não abrir também um pesqueiro?”, revela Juliana.
Vocação para o turismo rural
E assim surgiu o Pesqueiro São José. Juliana observa que o Arraial d’Ouro e o Belchior sempre tiveram vocação para o turismo, mas antigamente não eram muito conhecidos. “Com o tempo, foram ganhando visibilidade. Ainda vejo a região com muito potencial para crescer na área do turismo, mas falta um pouco de incentivo, como, por exemplo, boas estradas. O acesso é a maior reclamação dos nossos clientes”, finaliza Juliana.