Vida e Saúde - Dieta sem glúten
Ir ao supermercado é uma atividade cotidiana que pode ser mais complicada para quem leva uma vida sem glúten.
Os celíacos - pessoas que tem alergia a esta proteína - enfrentam uma maior dificuldade para encontrar produtos que possam consumir e as poucas opções do mercado ainda têm um preço muito elevado. "A primeira vez que fui ao supermercado após receber o prognóstico, há aproximadamente um ano e meio, passei duas horas lá e não comprei quase nada, tive que ler tudo o que queria ou pensava em comprar. Hoje vou direto aos produtos que sei que posso levar para casa, já os conheço", conta Talita Salini Guerreiro dos Santos, 29 anos. Ela reclama que são raros os supermercados que dispõe destes produtos diferenciados, porém vê a situação melhorar consideravelmente nos últimos anos. Geralmente, os produtos existem apenas nas maiores redes de comércio e o preço é consideravelmente mais alto. Talita mostra o preço do pão sem glúten que comprou: passa dos R$14. "O que ajuda bastante é o fato de que muitos produtos naturalmente não possuem glúten, pois não levam farinha de trigo em sua composição".
O médico gastroenterologista Luciano Kowalski Coelho explica que a doença celíaca é uma doença genética que consiste na intolerância ao glúten - principal proteína presente no trigo, centeio, aveia e cevada. "Quando a proteína entra em contato com a parede do intestino em indivíduos predispostos geram um processo inflamatório que lesa o epitélio e impede a utilização adequada dos alimentos pelo organismo". Para os celíacos, ingerir glúten pode fazer com que alguns sintomas apareçam, o que pode resultar até mesmo em uma internação hospitalar. Entre os sintomas mais comuns, o especialista cita diarreia, lesão no abdôme, anemia e apatia, que podem ocorrer de forma isolada ou associada. Mas ainda podem ocorrer manifestações extra intestinais, como a osteoporose, doenças da tireoide e diabetes, entre outros. O diagnóstico é feito por meio de dois exames. Um é realizado no sangue para quantificar um anticorpo que é produzido pela maioria dos celíacos. O outro, confirmatório, é a coleta de uma pequena amostra do duodeno - porção inicial do intestino delgado) por meio de uma endoscopia digestiva. O exame verifica se há o processo inflamatório causado pela alergia ao glúten. "O tratamento baseia-se na retirada total do glúten na dieta, que deve ser mantido por toda a vida", destaca o médico.
Para Talita, a maior dificuldade do celíaco é viver em sociedade, já que em festas de aniversários, coquetéis e eventos sociais é pouco comum encontrar produtos sem glúten. "As pessoas não têm esta preocupação, tampouco os estabelecimentos alimentícios da nossa região. Em um almoço ou jantar é mais fácil, pois como carne, salada e algumas guarnições que não levam farinha de trigo. Se for um café ou coquetel, não há opções. Sempre digo: se tiver pão de queijo poderei comer algo, caso contrário ficarei só olhando", destaca.