Ervas medicinais: risco ou salvação?
Muitos pacientes afirmam que tratam os problemas de saúde como colesterol, asma, dor de cabeça, insônia, ansiedade e outros com o uso de chás e/ou cápsulas de extratos de plantas.
Os tais produtos levam a fama de inofensivos, por serem “naturais” e isso não é bem verdade. Apesar de muitos deles serem à base de plantas, possuem em sua fórmula componentes que podem modificar e muito o metabolismo do corpo humano. Cafeína por exemplo é uma substância de extrato vegetal que tem um efeito psicoestimulante importante.
O que se sabe em termos científicos é que algumas ervas tem propriedades capazes de aliviar determinados sintomas. No entanto, quando submetidas a pesquisas, não apresentam resultados tão bons, sendo apenas um pouco mais eficazes que o placebo.
O risco não está no uso eventual das substâncias mas sim em seu abuso, apostando que o ditado “remédio natural não pode fazer mal muitas pessoas entram numa fria”. Muitas destas substâncias podem ser tão ou mais prejudiciais que medicamentos sintéticos, além de terem praticamente o mesmo potencial de provocar efeitos colaterais.
Um estudo realizado na Escola Médica da Universidade de Harvard em 2001 demonstrou que mais de 50% dos pacientes que apresentavam sintomas de síndrome do pânico ou depressão severa, haviam realizado tratamento com terapias alternativas no ano anterior ao início do tratamento médico. Isso chama atenção para o fato que o uso destas ervas para alívio de sintomas atrasa a procura por um diagnóstico médico tornando graves problemas que inicialmente eram leves ou moderados.
O extrato da planta kava-kava utilizada no tratamento da ansiedade, por exemplo, pode potencializar o efeito de diversos medicamentos e até mesmo do álcool.
Atualmente a erva mais estudada para o tratamento da Depressão é a Erva-de-São-João porém, várias complicações advindas de seu uso já foram descritas. Sabe-se que a planta pode interferir na fertilidade, piorar o quadro de pacientes com demência e deflagrar surto psicótico em pessoas predispostas.
Os vegetais de coloração verde escura normalmente utilizados na composição das “garrafadas”, vendidas no interior, são ricos em vitamina K e esta é pró coagulante. Pessoas que usam anticoagulantes devem tomar muito cuidado pois podem anular o efeito de seus remédios ao ingerir tal quantidade.
Por isto, informe seu médico se estiver em uso regular de algum destes medicamentos, ele é a pessoa mais indicada para prescrevê-los.