Doença do refluxo

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A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum na qual o conteúdo do estômago (alimento ou líquido) vaza em direção contrária ao estômago para o esôfago (o tubo da boca ao estômago). Essa ação pode irritar o esôfago, causando azia, regurgitação, tosse crônica, rouquidão, dor torácica e outros sintomas.

Cerca de dois terços das pessoas que se queixam de refluxo, não apresentam nenhuma esofagite à endoscopia. Por essa razão, quando os sintomas são típicos e a resposta ao tratamento é rápida, não há necessidade de realizar endoscopias nem outros exames. Entretanto, a maioria dos médicos opta pelo exame endoscópico para afastar as possibilidades de estreitamento esofágico, câncer ou esôfago de Barrett, condição que predispõe à malignização.

Você pode não precisar de nenhum exame se seus sintomas não forem graves. Se seus sintomas forem graves ou voltarem após você ter sido tratado, um ou mais exames podem ajudar a diagnosticar refluxo ou alguma complicação. São considerados sintomas de alarme, pois indicam complicação da doença ou outra enfermidade: disfagia (dificuldade para deglutir), odinofagia (dor para deglutir) hematêmese (vômitos com sangue) melena (fezes pastosas de cor escura e cheiro fétido, sinal de hemorragia digestiva alta) anemia e emagrecimento (superior a 10% de seu peso). Nestes casos deve-se procurar atendimento médico de urgência.

Em casos selecionados, exames mais complexos permitem avaliar a motilidade gástrica, quantificar a exposição do esôfago ao ácido e relacionar os sintomas com a periodicidade dos refluxos.

O tratamento inicial consiste em um tripé básico: dieta alimentar, mudanças no estilo de vida e medicamentos.

A dieta alimentar se baseia em evitar frutas cítricas, tomates, cebolas, bebidas gasosas ou com cafeína, comidas apimentadas, gordurosas ou fritas, chocolate, café e chá.

Modificar o estilo de vida a fim de diminuir os sintomas do refluxo implica em: parar de fumar; se houver sobrepeso ou obesidade, emagrecer; reduzir consumo de álcool; evitar refeições volumosas e não deitar após as refeições. Alguns pacientes apresentam maior apresentação de sintomas no período da noite, nestes casos, pode ser necessário elevar a cabeceira da cama ou dormir com um travesseiro mais alto. Importante também é não usar roupas nem cintos que apertem a região abdominal.

Os medicamentos utilizados no tratamento (inibidores de bomba de prótons, antagonistas do receptor H2, antiácidos, pró-cinéticos) visam reduzir a acidez do suco gástrico, melhorar os sintomas e facilitar a regeneração dos tecidos lesados pela inflamação.A duração do tratamento é extremamente variável e o plano terapêutico é individualizado a partir da avaliação médica.

Nos casos refratários ao tratamento inicial, pode ser indicada a cirurgia antirrefluxo. A cirurgia se baseia em suturar a parte alta do estômago ao redor da porção inferior do esôfago criando uma barreira para o conteúdo gástrico que está refluindo. Atualmente as indicações cirúrgicas se tornaram mais restritas, porque a eficácia é maior na cura da esofagite do que no controle dos sintomas. Ficou em dúvida? Procure seu médico.