Dar limites também é uma forma de educar
A infância é um período onde o ser humano desenvolve-se psicologicamente, envolvendo graduais mudanças no comportamento da pessoa e na aquisição das bases de sua personalidade. Foi há pouco tempo que a psicologia fez as pessoas entenderem que a infância é uma fase importante da vida que requer atenções especiais. Existem nos dias de hoje muitas pesquisas sobre o desenvolvimento psíquico da criança e suas consequências na vida adulta.
No entanto, nem sempre foi assim. Antigamente as crianças eram educadas com castigos severos, humilhações e agressões físicas. Submetidas a tantos maus tratos físicos e psíquicos nesta fase que algumas, carregam até hoje sintomas decorrentes destas lembranças. O abandono do autoritarismo em prol da democratização da relação entre pais e filhos foi um progresso, porém, a linha entre a democratização e a falta de limites das crianças é tênue.
Esta questão de dar limites é complexa. Entender uma criança não é tão fácil quanto aparenta, é trabalhoso, exige muita dedicação e muito autoconhecimento. Os filhos têm muitas demandas e os pais muitas inseguranças e culpas, esta combinação pode gerar resultados desastrosos. Por exemplo, é muito comum pais que trabalham fora e dedicam pouco tempo aos seus filhos quererem compensar esta ausência com presentes ou com “sim” para todas vontades da criança e o que parece uma demonstração de amor, na realidade é um adubo para decepções futuras.
O termo “limite” na fase de desenvolvimento da criança não se refere à potencialidade física da criança, mas sim à aceitação de regras coletivas, tolerância de frustrações e respeito aos outros. Entender e respeitar o espaço dos pais é um bom começo para entender e respeitar o espaço de outras pessoas bem como criar empatia com professores, chefes e colegas de trabalho no futuro. A criança que ao longo do desenvolvimento não amplia esta percepção cresce com uma deformação na forma de perceber o outro.
Crianças cujas vontades imperam dentro do lar ou da família terão as mesmas expectativas em relação à vida adulta e quando perceberem que não serão atendidas prontamente, como seus pais costumavam fazer, vão encontrar-se frustradas, sem subsídio emocional para suportar e superar estas frustrações. Questione sua maneira de educar!