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Porto seguro - o meu lar
Fim de ano é essa coisa. Ficar no lar, na casa amada ou partir prum outro lugar. A tendência do blumenauense, naturalíssima para ele, é encravar-se por dias, semanas, meses, ano inteiro não, no litoral.
Calor lá, calor cá - mesma coisa. O que abranda é o vento que rareia aqui. Desta feita, deixei de lado as opções naturais: Canto Grande, em Porto Belo ou a Caieira da Barra do Sul, lá em Floripa. Aportei, feliz da vida, na Ilha indefinível que tem nome de santa.
À convite de minha mana caçula, Liginha, bem casada com o boa - praça João Batista Narciso, abriguei-me em Praia Brava, a última do Norte. A última do Sul batizaram de praia de Naufragados, aonde se chega só a pé, sobe morro, desce morro, ou de barco, bem mais confortável.
Praia Brava (ou Braba?) é condomínio quase total. Belos prédios. O meu tem o nome nada original de América do Sol. Preferiria América do Sul e mais ainda América do Sal..
Pequena em dimensões, lembra Cabeçudas, de Itajaí. Mar mais ou menos manso, possui dois costões que, pela idade, recusei percorrer suas trilhas. Questão de bom - senso e de bom - gosto.
Os restaurantes, todos situados em cima dos areais, foram derribados (Monteiro Lobato preferia esta grafia) pela prefeitura em nome das causas abraçadas pelos ecochatos. Estavam meio em cima da orla. Restaram solitários uns quiosquesinhos, vendendo a preços de dinamite bobós de camarão, pastéis gordurosos, caipirinhas e, por incrível que pareça, doses de vinho de origem nada mais que duvidosa.
Lendo Memorial do amor, de Zélia Gattai (Record, 2004, 141 páginas), resolvi parodiar a autora, companheira do Jorge Amado:
- Chegava a hora da melhor parte da viagem: a volta para minha casa. Dessa vez não eram as saudades de entes queridos que me faziam abreviar a viagem. Era a saudade do meu lar, das minhas coisas, do meu aconchego. Era também a saudade dos meus animais, sobretudo do Zezo, meu cão amado e tarado por mim. Também entram em cena a Arnica (Nica para os íntimos), sua mãe, e o mano dele, o Panda, um ursinho perfeito.
A razão maior deste texto seria discutir se o nome apropriado da praia seria Brava ou Braba. Diante de tanta beleza, encantamento e repouso merecido deste guerreiro, embora cansado, dou os trâmites por findos.