{{channel}}
Minha querida agenda
Não tem aquela do meu “querido diário” da nossa bela e doce juventude? Eram tão preciosos que, escondidos a sete chaves, constituíam um verdadeiro tesouro. E ai de quem se atrevesse a lê-lo sem ordem expressa ou total permissão de seu autor.
Esta recordação vem-me à mente ao receber das mãos do diretor do Jornal Metas, Beto Deschamps, personalizada - Gervásio Tessaleno Luz, colunista, Prosa e verso - a agenda JM 2013. O presente ocorreu semanas atrás quando visitei a nova morada do bissemanário. Num prédio tchan, abriga-se a administração, redação, circulação, comercial e departamento de assinaturas. Tudo moderno, nos trinques. A anfitriã foi minha editora Kássia Dalmagro. Ocupam espaço especial na minha biblioteca, devidamente preenchidas, as edições anteriores, as que trazem na capa as fotos de nossa cronista social Juli Deschamps e da prefeitura, respectivamente.
A temática da agenda 2012 foi a história da cidade de Gaspar. Bem o diz o editor-chefe Alexandre Melo: “... o povo não tem memória. E povo sem memória é povo sem história.”
A temática agora é ecologia. Belíssimas fotos de Luiz Eduardo Schramm (flores) e James Orsi (aves) e Cristiano Voitina (biólogo) ilustram o álbum. Nossa fauna e nossa flora estão bem retratadas. A capa estampa a imagem do gaturamo-verdadeiro, ave-símbolo da cidade. Quando garoto, tinha um amigo, Paulo Moura Ferro, hoje advogado, que insistia em chamar gaturamo de gaturamba, Ora só!
Parodio um samba do Chico Buarque, Passaredo. Nele, o compositor alerta as aves para o grande perigo que é o homem. “Ei, socó, bico-de-lacre, joão-de-barro, sairinha, tangará, tico-tico, jacupemba, tucano, espiguinha, macuco, gavião, marrequinha, saracura, rolinha, bem-te-vi, beija-flor, coleirinho, canário-da-terra, sabiá, curió/ Foge, garça-branca que o homem vem aí!”
As aves que aqui gorjeiam e gorjeiam também nos mais infinitos cantos do mundo, sempre inspiraram e continuarão a inspirar prosadores e poetas.
No exílio, Gonçalves Dias tornou imortais estes versos:
“Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá;