Blumenau falando português

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No mês de junho, comemora-se o Dia da Língua Portuguesa em todos os países que a adotam como idioma oficial. Nesse dia, falecia o poeta Camões. Esta informação abre o artigo O espaço da língua portuguesa em Blumenau, escrito a quatro mãos por Sylvio Zimmermann Neto, dinâmico presidente da Fundação Cultural de Blumenau e por Ana Carolina Nazaro, aluna do curso de Letras da Furb. O texto consta da revista Blumenau em Cadernos, edição de maio e junho.

Citam parecer da professora Valéria Contrucci de Oliveira Mailer: “ (...) o idioma alemão teve papel fundamental no cotidiano da comunidade (...). O alemão era Língua Nacional na nação blumenauense. O português, nas escolas, era ensinado como língua estrangeira (...)”.

Outro enfoque interessante: “Alguns personagens históricos, como o professor Frei Odorico Durieux, promoveram uma integração mais pacífica e duradoura entre os blumenauenses e a Língua Portuguesa. Queridíssimo pela população, bilíngue e ávido leitor dos clássicos da Literatura Portuguesa, o ideal de Frei Odorico sempre fora lecionar. 

Ajudou os alunos que eram falantes das Línguas Alemã e Italiana a perderem sua dicção do idioma colonizado quando falavam Português.” Lembrei-me agora que se um aluno, olhos azuis, cabelos loiros, bravo exemplar tudesco, pronunciasse parrede, o padre subia paredes.

“Frei Odorico - continuam - também incentivou a Língua Portuguesa por meio de uma Academia Literária, a qual batizou de Mont´Alverne, fundada em 13 de junho de 1959. Tinha como objetivo desenvolver a oratória dos alunos, assim como prepará-los para a liderança com espírito crítico. Os frutos deste trabalho são colhidos até hoje na Academia e são visíveis pelo aperfeiçoamento da escrita, debates e discursos em público. 

Atualmente, Mont´Alverne faz parte do projeto cultural do Colégio Bom Jesus Santo Antônio, no qual o professor Durieux lecionou por mais de 40 anos. Sobre seus métodos, o ex-aluno Gervásio Tessaleno Luz compartilha: “Numa época em que o ensino não saía da fórmula tradicional, e que os movimentos estudantis ainda se mantinham clandestinos, por sua própria conta e risco, ele incentivou os alunos a pensar e se manifestar em público.”  

E arremata: “Na minha atuação no lecionar Português, nunca fui gramatiqueiro. A partir de textos criteriosamente escolhidos para agradar ao aluno, apontava - quando necessário - as regras da gramática.”