Gaspar segue sem representação no Estado e em Brasília

Confira com foi a performance de cada um dos candidatos do município nas urnas

Por Alexandre Melo

Eleições 2026

Gaspar vai passar mais quatro anos sem um representante próprio na esfera estadual e federal. Os sete candidatos ligados à cidade, três para a Câmara Federal e quatro para a Assembleia Legislativa, não conseguiram alcançar uma das cadeiras em disputa. Apesar do resultado, todos fizeram questão de agradecer os votos recebidos e valorizar o apoio dos eleitores.

O desempenho mais expressivo entre os federais foi o de Alex Burnier (PRD), que também havia sido o mais votado para vereador na eleição municipal. Ele conquistou 7.916 votos no total, sendo mais de 6 mil em Gaspar. Ciro Quintino (MDB), atual presidente da Câmara Municipal, obteve 4.359 votos e ficou como suplente, enquanto Andressa de Oliveira (Missão) recebeu 483 votos. A sua candidatura aparece registrada como sub judice no site do TSE.

Disputa para a Assembleia teve queda de votação

Na corrida por vagas na Assembleia Legislativa, quatro nomes de Gaspar participaram da disputa e somaram pouco mais de 10 mil votos em todo o Estado. Em Gaspar, foram 6.982 votos destinados aos candidatos da cidade, número bem inferior ao registrado na eleição anterior, quando três concorrentes à Alesc somaram 18.376 votos no município e 27.477 em todo o Estado.

A mais votada no Estado foi Mara da Saúde (PP), com 4.305 votos, sendo 2.640 em Gaspar. Dionísio Bertoldi (PT) recebeu 4.066 votos no total e superou Mara no município, com 2.873. Bernadete Souza (NOVO) somou 1.829 votos, com 1.445 em Gaspar, e Alan Martins de Souza (PRD) teve 88 votos, apenas 24 deles na cidade.

Votos em candidatos de fora continuam fortes no município

Como acontece tradicionalmente, candidatos de outros municípios voltaram a receber votação expressiva em Gaspar. Juliana Zanata (PL), candidata a deputada federal, fez 6.727 votos no município, enquanto Ana Campagnolo (PL), que disputou cadeira na Alesc, recebeu 5.895. Esses números reforçam a tradição local de distribuir votos entre nomes de fora, o que dificulta a construção de uma candidatura genuinamente gasparense com viabilidade eleitoral.

Gaspar não elege um deputado desde 1986, e o novo resultado amplia esse jejum político. Mesmo sem a vitória, os candidatos afirmaram que seguem atuando, citando aprendizado, continuidade do trabalho e a intenção de manter a cidade presente no debate regional e estadual.Confira, a seguir, o que disseram os candidatos sobre suas performances nas urnas no último domingo (4).

O vereador Alex Burnier (PRD) disputou uma vaga na Câmara Federal. Em Gaspar, recebeu 6.144 votos e 7.916 no total. Ao avaliar o resultado, afirmou que a votação reforça a possibilidade de Gaspar construir uma candidatura própria. Ele agradeceu aos eleitores das 104 cidades onde recebeu votos. “A vitória não veio, mas saio dessa eleição mais forte do que entrei. A cada pessoa que abriu a porta, me ouviu e acreditou, o meu sincero obrigado. A luta continua, assim como o trabalho e o propósito de construir um caminho para que Gaspar tenha sua própria representação.”

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Ciro Quintino (MDB), presidente da Câmara de Vereadores, disputou a Câmara Federal, recebendo 4.359 votos, sendo 3.390 em Gaspar e conquistando a vaga de suplente. Ele agradeceu os votos e afirmou que pretende aproveitar a condição de suplente para manter a representação de Gaspar e da região nos cenários estadual e federal. “Plantamos uma semente e, mesmo não alcançando a votação que esperávamos, saio dessa eleição com o coração tranquilo e cheio de gratidão. A semente foi plantada e agora é seguir trabalhando, cuidando dela e construindo, juntos, o futuro que nossa cidade merece.”

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O vereador Dionísio Bertoldi (PT) concorreu a uma cadeira na Alesc, recebendo 4.066 votos, sendo 2.873 em Gaspar. Ele agradeceu aos eleitores e destacou a forma como conduziu a campanha e sua postura diante do resultado. “Agradeço de coração a cada pessoa que me recebeu, ouviu minhas propostas e votou em mim. Fiz uma campanha sem Pix do fundão e cumpri o meu papel. Aceito o resultado com tranquilidade, sem baderna e sem questionar as urnas eletrônicas. Democracia de verdade é assim”, pontuou.

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Em sua segunda eleição - a 1ª no âmbito estadual - a empresária Maria Bernadete Souza recebeu 1.829 votos, com 1.445 em Gaspar. Dete, como é conhecida, fez uma campanha franciscana, marcada pelo contato direto com os eleitores. “Recebo esses 1.829 votos com gratidão e responsabilidade. A eleição termina, mas o compromisso com Gaspar continua. Vou seguir trabalhando e participando da vida política da cidade e região”, admitiu a empresária, que pode ser um nome na próxima eleição municipal.

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A vereadora Mara da Saúde (PP) encerrou a disputa por uma vaga na Alesc com 4.305 votos, sendo 2.640 em Gaspar. Em 2022, quando também concorreu ao cargo, obteve 4.654 votos em todo o Estado. Mara foi a primeira mulher negra na Câmara de Vereadores de Gaspar. Ela afirmou que pretende manter a atuação política na Câmara. “Quero agradecer de coração a cada pessoa que acreditou no nosso projeto e esteve comigo nessa caminhada. O resultado não foi o que esperávamos, mas saio fortalecida, com muitos aprendizados e a certeza de que plantamos sementes importantes”.

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Alan Martins Souza, do Missão, disputou sua primeira eleição para deputado estadual. Ele disse que confiava obter mais votos, porém, a sua campanha foi “franciscana”, com apenas R$ 15 mil. “Não tive praticamente recurso nenhum, para obter mais votos eu precisaria de muito mais, o que eu recebi só deu pra pagar a pessoa que fez a prestação de contas e a pessoa que fez as filmagens”. Alan, que é bombeiro voluntário, lembrou que somente as corporações somam quase 6000 voluntários em Santa Catarina. “Se tivesse mais recursos financeiros, compatível com um candidato a deputado estadual, eu poderia ter feito mais de 4000 votos. Agradeço a cada um que saiu de casa pra votar em mim”.

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A candidata não respondeu ao contato da redação até o fechamento desta reportagem