Câmara de Blumenau deve votar na próxima quinta-feira pedido de abertura de processo de cassação de vereador

Suspeito de prática ilícita conhecida por "rachadinha", Almir Vieira já está afastado por 180 dias por determinação da justiça

Por Alexandre Melo

Vereador Almir Vieira diz que a verdadade será restabelecida

A Câmara Municipal de Blumenau deve incluir na pauta da sessão ordinária da próxima quinta-feira, dia 19, o pedido de abertura de processo de cassação do mandato do vereador Almir Vieira (PP), investigado por suspeita de participar de um esquema de “rachadinha”, corrupção e lavagem de dinheiro no legislativo blumenauense. O pedido foi protocolado pelo ex-Promotor de Justiça Odair Tramontin, no dia 5 de fevereiro.

De acordo com a presidência da Casa, durante a tramitação interna do pedido, houve manifestação complementar da Procuradoria-Geral da Casa quanto a aspectos procedimentais, o que demandou nova verificação técnica e impossibilitou a inclusão da matéria na sessão legislativa anterior, realizada no dia 12 de fevereiro.

"A previsão é que o tema seja submetido à apreciação do plenário na próxima sessão ordinária, marcada para quinta-feira (19), já com o parecer jurídico completo, observados os trâmites legais e regimentais. A Câmara reafirma seu compromisso com a legalidade e a condução responsável dos trabalhos parlamentares", afirmou a presidência da Casa em comunicado.

Justiça afastou vereador por 180 dias

Enquanto isso, o vereador Almir Vieira segue afastado por 180 dias, por determinação da justiça. O parlamentar foi alvo de uma operação policial no dia 3 de fevereiro, batizada dec Happy Nation (Nação Feliz), que cumpriu 30 mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual de Organização Criminosa de Blumenau.

Vereador se defende

Em nota enviada à imprensa, o vereador diz que o afastamento determinado pela Justiça “será cumprido com serenidade e absoluto respeito às instituições”.

Almir voltou a afirmar que não praticou qualquer ato ilícito e que o dinheiro encontrado durante a operação deflagrada pela Polícia Civil tem origem “certa, lícita e plenamente comprovável”.

Leia a nota na íntegra

"O afastamento determinado pela Justiça será cumprido com serenidade e absoluto respeito às instituições. Quem não deve, não teme, e é justamente por confiar na Justiça que se aguarda com tranquilidade a completa apuração dos fatos.

Assim que concluído o trabalho da autoridade policial e garantido o acesso integral ao inquérito, todos os esclarecimentos serão apresentados de forma ampla, transparente e definitiva.

É preciso deixar claro: não houve qualquer prática ilícita. Ao contrário do que vem sendo divulgado, não existem “altas somas de dinheiro”. A quantia encontrada tem origem certa, lícita e plenamente comprovável.

O único incremento patrimonial recente decorre exclusivamente de herança regularmente recebida e da venda formal desses ativos, tudo devidamente documentado.

Lamenta-se a tentativa de construção de narrativa precipitada, com julgamentos antecipados e exploração política de um momento que exige responsabilidade. O devido processo legal, com contraditório e ampla defesa, não é um detalhe, é garantia constitucional.

A confiança na Justiça permanece inabalável. E espera-se que aqueles que hoje atacam com voracidade tenham a mesma firmeza para reconhecer seus excessos e se retratar quando a verdade for restabelecida. A verdade não teme investigação. E será restabelecida”