O 'Italiano do Arroz' e a lambreta que fez história
Memória. Casal Stiz relembra o curioso acontecimento da filha que ganhou um prêmio ao nascer
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Foto: Alexandre Melo/Jornal Metas/Terezinha e Arnoldo namoraram, noivaram e casaram em seis meses na Igreja Matriz São Pedro Apóstolo
Ele nasceu em Rodeio, no Alto Vale do Itajaí, mas veio para Gaspar por conta do plantio do arroz. É o oitavo filho de uma família de 14 irmãos. Em 1963, seu pai comprou terras no Bateias - próximo à igreja Santa Luzia - e o jovem Arnoldo Stiz, junto com um irmão passou cultivar o cereal. O irmão casou e foi morar em Timbó. Arnoldo acabou ficando, ele e sua lambreta. Plantou sozinho por dois anos. "A terra era muito boa", diz o ex-agricultor. Nas horas de folga, ele pegava a lambreta e, vez por outra, passava perto da casa da família Zuchi, onde morava Terezinha. Não deu outra. O primeiro encontro foi nas escadarias da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo. Namoraram, noivaram e seis meses depois subiram novamente as escadarias da igreja para o "sim". O casal, que no próximo mês completa 52 anos de matrimônio, teve quatro filhos - José (faleceu bebê), Dorizete, Dorimar e Doriana.
Hoje, aos 84 anos, Arnoldo está aposentado; há oito anos mora numa confortável casa no bairro Sete, ao lado de Terezinha, 78 anos, seu primeiro e único amor. Ela também não tem dúvida de que acertou na escolha. Aliás, ela conta que demorou a casar porque queria escolher o noivo, ao contrário da época quando a maioria dos casamentos eram arranjados pelos pais. "Eu escolhi a pessoa certa, foi o primeiro homem que coloquei ao meu lado e não me casaria com outro", admite. Na época, Terezinha havia completado 26 anos e Arnoldo 31.
Enquanto plantou arroz, Arnoldo era conhecido como o "Italiano do Arroz". Chegou a colher 2.500 sacas numa área de 200 mil metros quadrados. Depois que parou de plantar arrendou as terras, e mais tarde achou melhor vender. Arnoldo e Terezinha contam que nunca quiseram que seus filhos seguissem na lavoura. "Nós sempre priorizamos o estudo deles, por que o sol é de todo mundo, mas a sombra é dos ladinos (espertos)", afirma Arnoldo. Pagar o estudo dos filhos, segundo ele, saiu bem mais barato do que comprar um terreno pra cada. A esposa também trabalhou duro na lavoura. Ajudava no plantio e colheita do arroz e ainda cuidava das vacas. A família chegou a ter uma pequena fábrica de queijo, manteiga, nata e outros produtos coloniais. "Eu tirava de 60 a 65 litros de leite por dia", relembra Terezinha. Mais tarde, virou costureira e abriu uma facção. Bastante religiosa, ela diz que todas as dificuldades foram superadas com a graça de Deus. Hoje, os filhos e os cinco netos são as paixões do casal.
O curioso prêmio
A filha mais jovem, Doriana, nasceu no Dia de Natal, no Hospital de Gaspar. Um fato surpreendente aconteceu neste dia. Terezinha conta que um morador da cidade havia feito uma promessa de doar certa quantia em dinheiro para a primeira criança que nascesse no Dia de Natal. Doriana veio ao mundo às 22h40min de 25 de dezembro de 1978. A notícia pegou o casal de surpresa e se espalhou pela cidade. "Nós não sabíamos de nada, não conhecíamos o seu Caera, mas aí as enfermeiras entraram no quarto fazendo a maior algazarra e dizendo que a minha filha havia ganho um prêmio. Foi um falatório na cidade, pois era quase um prêmio da loteria", relembra Terezinha.
Dias depois, Caera cumpriu a promessa e levou Arnoldo até uma agência bancária onde abriu uma caderneta de poupança em nome da recém-nascida. "Na época, a quantia dava pra comprar um carro zero quilômetro", recorda Arnoldo. O dinheiro, porém, era para Doriana e ficou parado na poupança por 20 anos. "Nunca retiramos ou depositamos nada na conta, mas os vários planos econômicos e trocas de moedas acabaram corroendo o dinheiro", observa Terezinha. Mesmo assim, Doriana conseguiu usar a doação para pagar boa parte da sua faculdade. Ela conta que não conheceu o doador - ele faleceu alguns anos depois num acidente - tampouco teve contato com familiares, mas sempre teve vontade de agradecer pessoalmente à família. Roni Muller, neto de Caera. admitiu à reportagem que não sabia da história, mas a confirmou com um tio. "Eu fiquei até espantado, pois não sabia de nada, meu tio contou-me que meu avô prometeu doar certa quantia em dinheiro todos os anos à primeira criança que nascesse no dia 25 de dezembro como forma de agradecer a Deus por tudo o que ele conquistou na vida, não sei se outras crianças receberam doação, pois meu avô morreu em 1984", explicou. Roni ficou curioso em conhecer Doriana. "Sim, eu toparia conhecer pessoalmente a Doriana", finalizou.
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foto: Arquivo Pessoal/Arnoldo e o irmão em meio a arrozeira e a inseparável lambreta