Imortal por sua obra

Escritor Saramago morreu, mais deixou um grande legado

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Aliteratura mundial perdeu um de seus maiores ícones. Aos 87 anos, o escritor José Saramago morreu na manhã de sexta-feira (18), às 8h em sua casa, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, de falência múltipla dos órgãos e foi cremado em Lisboa, no domingo (20). Com sua genialidade, Saramago contribuiu para o enriquecimento da cultura de várias gerações.
O escritor português nasceu no distrito de Santarém, na extinta província do Ribatejo, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Viveu grande parte da sua vida em Lisboa, onde aos 25 anos, publicou seu primeiro romance, Terra do Pecado (1947). Em 1955, para aumentar os rendimentos começou a fazer traduções de Hegel, Tolstoi e Baudelaire, entre outros. Porém, 19 anos depois trocou a prosa pela poesia, lançando Os Poemas Possíveis. Na década de 1970, num espaço de cinco anos, publicou, sem alarde, mais dois livros de poesia: Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). Nesta mesma época Saramago ingressou no jornalismo e foi trabalhar no Diário de Notícias (DN) e, depois, no Diário de Lisboa. Em 1975, retornou ao DN como Director-Adjunto, onde permaneceu por dez meses, até os militares portugueses intervirem no veículo e causarem sua demissão. O período era turbulento no país, onde dominava a ditadura de Antônio de Oliveira Salazar. Saramago era um dos opositores e pensadores da Revolução dos Cravos e pagou com sua demissão a contestação ao regime opressor.
Demitido, Saramago resolve dedicar-se apenas à literatura, substituindo de vez o jornalista pelo ficcionista. Da experiência vivida nos jornais, restaram quatro crônicas: Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL Teve, 1974 e Os Apontamentos, 1976. Mas não são as crônicas, nem os contos, nem o teatro os responsáveis por fazer de Saramago um dos autores portugueses de maior destaque - esta missão está reservada aos seus romances, gênero a que retornou em 1977.
Em 1998, o autor português chegou ao ápice de sua carreira como escritor ao receber o prêmio Nobel da Literatura, o primeiro escritor de língua portuguesa, a conseguir tal façanha.

Das letras ao cinema

Três anos antes de ser condecorado com o Prêmio Nobel de Literatura, Saramago lançou uma de suas obras de maior sucesso, Ensaio Sobre a Cegueira (1995). Além de virar um best-seller, ganhou popularidade pelo diretor de cinema Fernando Meirelles (Jardineiro Fiel e Cidade de Deus) ao virar o filme homônimo, que foi sucesso de bilheteria no mundo.

 

Obras publicadas

Romances
Terra do Pecado, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
Levantado do Chão, 1980
Memorial do Convento, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
A Jangada de Pedra, 1986
História do Cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio Sobre a Cegueira, 1995
Todos os Nomes, 1997
A Caverna, 2000
O Homem Duplicado, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez, 2004
As Intermitências da Morte, 2005
A Viagem do Elefante, 2008
Caim, 2009

Peças teatrais
A Noite
Que Farei com Este Livro?
A Segunda Vida de Francisco de Assis
In Nomine Dei
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido
Contos
Objecto Quase, 1978
Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979
O Conto da Ilha Desconhecida, 1997

Poemas
Os Poemas Possíveis, 1966
Provavelmente Alegria, 1970
O Ano de 1993, 1975

Crónicas
Deste Mundo e do Outro, 1971
A Bagagem do Viajante, 1973
As Opiniões que o DL Teve, 1974
Os Apontamentos, 1977
Diário e Memórias
Cadernos de Lanzarote (I-V), 1994
As Pequenas Memórias, 2006
Infantil
A Maior Flor do Mundo, 2001