A grande família de Teodoro e Giacomina
Ele foi um conhecido oleiro, ela a merendeira da Escola Marina Vieira Leal por 35 anos
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Foto: Alexandre Melo/ Jornal Metas/Verônica e Salete: recordações de um tempo de muito trabalho
A família é grande. São 13 filhos - seis mulheres e sete homens. Quando todos se reúnem, incluindo genros, noras, netos e bisnetos, os descendentes de Teodoro Melato e Giacomina Scaburi Melato passam de 100. Teodoro e Giacomina viveram um casamento de 52 anos e se tornaram conhecidos no Barracão. Ele por ter tocado, por muitos anos, uma Olaria, e Giacomina pelo trabalho de mais de três décadas como merendeira na Escola Marina Viera Leal. Teodoro e Giacomina faleceram em 2006, num intervalo de quatro meses e 15 dias. Ele aos 79 anos, ela aos 78.
Verônica, Salete e outros cinco irmãos nasceram em terras do Óleo Grande. Verônica conta que era uma propriedade muito grande, mas não pertencia aos pais. "Eles arrendavam de Ernesto Censi". Teodoro, o popular Dorinho, plantava arroz, mandioca e era dono de engenho de farinha. A agricultura em terras arrendadas não era suficiente para o sustento do casal e de seus13 filhos. Teodoro decidiu então investir na compra de um lote de terra, mas não para plantar. No começo dos anos 1960, ele instalou a Cerâmica Melato, a única que ainda se mantém em atividade no bairro. "Meu pai precisava de algo mais rentável porque éramos muitos filhos", explica Salete.
O começo, recorda ela, não foi fácil. As lembranças das dificuldades estão ainda muito vivas na sua memória. "Não havia energia elétrica, tudo era manual e movido a cavalo". Com apenas seis anos de idade, Salete cavava no barro e carregava a carroça. Ela conta que o pai fez um carrinho de mão para cada filha carregar tijolos. "Eram carrinhos muito pequenos, porque nós éramos crianças e quase não tínhamos forças para empurrar". Salete foi a filha que trabalhou mais tempo na olaria, até casar, aos 21 anos. Nesta época, as coisas haviam melhorado. O pai comprou um motor a diesel para movimentar a olaria. Depois, investiu num caminhão, mas o trabalho pesado continuou. "Ainda era preciso carregar o barro no caminhão com pá", diz Verônica. Os tijolos eram vendidos na região, principalmente em Blumenau. O caminhão agilizou a entrega, já que antes o transporte era feito em carroça.
Salete conta que chegou a carregar um caminhão de lenha sozinha e 150 tijolos em um carrinho de mão. Era ela quem também acompanhava o pai na entrega da mercadoria aos clientes. A cerâmica se mostrou um negócio rentável, tanto que seu Teodoro conseguiu comprar seu primeiro veículo de passeio, uma Rural Willys. "Meus pais conseguiram criar 13 filhos fabricando tijolos", afirma Verônica.
Salete casou e foi morar no bairro Santa Terezinha, mas durante a semana ainda ajudava na olaria. "Eu passei a fazer tijolos e cuidar mais da área administrativa", diz. Já Verônica, depois de casada trabalhou na olaria de um primo. "Eu sempre amei trabalhar em olaria", admite. Porém, revela que o trabalho era tão cansativo que muitas vezes pediu a Deus que seus filhos não passassem o que ela passou. "E Ele me atendeu, nenhum dos meus filhos ficou rico, mas também não precisaram de tantos sacrifícios", emociona-se.
Salete recorda que a maioria das famílias do barracão era pobre. "A gente ia para a escola de pés descalços, caminhava em cima da geada, e a professora colocava os alunos bem juntinhos para se aquecerem".
Havia dias que, antes de irem para a escola, as irmãs precisavam carregar um caminhão de tijolos, mas elas não se arrependem de terem trabalhado muito para ajudar o pai, pois, para Salete, a educação e a honestidade foram as melhores heranças deixadas por ele. "Meu pai nos retribuiu com uma educação muito boa". Hoje, a olaria se mantém em atividade sob a administração de um dos filhos, Beto Melato, que comprou a sociedade dos irmãos há cerca de 25 anos. A casa da família Melato se mantém de pé, ao lado da cerâmica. Lá, morou o filho mais jovem, o popular Bilica, que já faleceu, juntamente com uma irmã. Mesmo sem a presença dos pais, é lá que a família Melato se reencontra, agora não por causa da pandemia.
Merendeira
Dona Giacomina já poderia ser considerada uma super mãe por ter criado 13 filhos. Mas, ela fez mais. Preparou a refeição dos alunos da Marina Vieira Leal por 35 anos. Ela, o marido e os filhos ainda participavam das atividades da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Teodoro foi presidente do Conselho e criador da tradicional "Festa do Tortéi". Quatro filhas, inclusive Salete e Verônica, foram catequistas na igreja. Outra participação marcante de Teodoro na comunidade foi a de Papai Noel. No final do ano, ele vestia a roupa do "bom velhinho" e, em cima do velho caminhão, circulava pelas ruas do bairro distribuindo balas para as crianças. Hoje, a tradição se mantém com um dos netos, Vando Andrietti, Depois da olaria, Verônica e Salete viraram costureiras, mas essa é outra história que, em breve, vamos contar.