Polêmica na ponte

Ponte recém-construída apresenta problemas e provoca bate-boca entre prefeito e presidente da Adarb

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A palavra “ponte” não sai da cabeça dos moradores de Ilhota. Se não é a construção da Ponte da Saudade, sobre o Rio Itajaí-Açu, são as travessias da região dos Baús que foram destruídas depois da tragédia e há um ano e sete meses aguardam ser recuperadas definitivamente. Porém, quando todos pensam que tudo está resolvido, vem um problema ainda maior.
Na quarta-feira (7), a prefeitura inaugurou uma ponte sobre o Ribeirão Mata Pasto, na Rua Teodoro Reichart, conhecida como Rua do Mata Pasta, no Braço do Baú. Dois dias depois, a ponte cedeu, interrompendo o tráfego de veículos da sepor mais de 24 horas. Somente por volta das 16h de sábado (10), quando uma nova ponte provisória foi colocada, o trânsito foi liberado.
Segundo o prefeito de Ilhota, Ademar Felisky, a ponte cedeu por causa dos trilhos de trem que foram colocados para dar suporte. Eles não resistiram a um caminhão muito carregado que passou pela travessia. “Houve uma falha na colocação dos trilhos. Eles foram reaproveitados de uma ponte mais estreita e por isso não deram o suporte necessário quando passou o caminhão com muito peso por sobre a ponte”, explicou o prefeito.
O prefeito, no entanto, garantiu que já está planejada a construção de uma ponte de concreto. “Esta obra está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e já está licitada, foi uma empresa do Norte de Santa Catarina que ganhou a licitação da obra”, revela Ademar.

Dinheiro público
Para a moradora da localidade, agricultora e presidente da Associação dos Desabrigados da Região dos Baús (Adarb), Tatiana Reichert, a queda da ponte e a construção de uma provisória, foi um caso de mau uso do dinheiro público. “Eles fizeram um trabalho mal feito, pois a ponte anterior que construíram, provisoriamente, já estava ali há um ano e meio e suportava o fluxo de veículos pesados", revelou Tatiana.
Segundo ela, na quarta-feira os moradores viram que a nova ponte não era segura. "Pedimos para o funcionário da prefeitura passar com a máquina nela, mas ele disse que não ia arriscar um equipamento público. Sinal de que não confiava no serviço que estava fazendo", observa a presidente. Na quinta-feira (8) ela pediu uma vistoria da Defesa Civil, mas não foi atendida. "Fizeram o serviço duas vezes e agora vamos ter de esperar os recursos para fazerem a ponte de concreto”, lamentou Tatiana.

Troca de farpas
A discussão entre a presidente da Adarb, Tatiana Reichert e o prefeito foram parar nos órgãos de imprensa e na tribuna da Câmara de Vereadores, na qual a moradora do Braço do Baú pediu explicações ao prefeito. Tatiana acusa Felisky de jogar dinheiro público fora ao fazer uma obra desse jeito. Já o prefeito respondeu dizendo que ela reclamou do problema da ponte para os meios de comunicação, mas esqueceu de procurar a prefeitura, única responsável pela solução do problema.