93 anos anos bem vividos
Há 56 anos, o casal vive no Baú Baixo, em Ilhota
Por mais estudos que se tenham acerca da longevidade, ainda não se descobriu o segredo para uma vida longa. No caso de dona Paula Junkes Schmitz, o segredo já é revelado: gostar de viver, ser positiva diante de obstáculos, levar a vida com perseverança e fé e se cuidar. Pelos muitos obstáculos que passou, não imaginou que estaria viva para comemorar, no dia 7 de julho, seus 93 anos. Ela conta que tem facilidade em ficar doente e que passou por muitas dificuldades, junto com a família, para criar os filhos e cuidar da produção de melado de cana, que garantia a renda da casa. Agora, a meta da simpática senhora é chegar aos 100 anos, sempre com muito bom humor, junto dos familiares e mantendo uma forte fé em Deus.
Nascida em São José, ela se mudou com o marido e família para o Braço do Baú há 56 anos. O marido veio olhar o terreno, gostou e resolveu comprar, porém dona Paula não teve a mesma impressão quando chegou ao Baú com os cinco filhos que tinha até então. "Eu não gostei. Não havia estrada, muitos banhados, chovia muito e eu estava longe da minha família. Hoje gosto muito de morar aqui. Tenho muitas colegas, bons vizinhos, é um local bem calmo", afirma. No passado, a família plantava cana-de-açúcar, que era transformada em melado para a comercialização. Eles também cultivavam feijão, arroz, milho e aipim. O terreno adquirido foi pago com muitos barris de melado. "Tínhamos uma vida bem pobre, éramos ricos de filhos", brinca a bem-humorada senhora, que hoje dá graças a Deus por toda a família ter se estabilizado. Da união com o marido Luiz Schmitz, com quem é casada há 66 anos, nasceram nove filhos : José Aloísio, Celso, Maria Bernadete, Antônio Pedro, Valcírio, Mônica, Luzia, Albertina e João Plácido.
Ela e o marido moram com o filho caçula João Plácio, a nora Odete e três netos. Em um quartinho da casa, está sua querida máquina de costura, onde costuma passar boa parte do dia. É seu passatempo preferido e, com muito amor e dedicação, dona Paula costura colchas de retalhos maravilhosas que dá de presente aos filhos, netos e amigos. "Se tenho saúde, estou na máquina de costura. Nunca vendi uma colcha, sempre dou de presente ou doo. Uma afilhada minha traz tecidos de Blumenau e uma costureira do baú traz as sobras de retalhos para as colchas", explica.
Dona Paula também é considerada pelos familiares como muito vaidosa, mesmo em tempos em que a família contava com poucos recursos. Ela costurava as roupas de toda a família, mantinha o corte de cabelo de todos em dia e sempre estava bem vestida. "Eu não deixava ninguém ficar relaxado", afirma, com uma risada. As unhas estão sempre pintadas, ela não sai de casa sem passar batom, usa brincos, colares e anéis e ainda revela que adora ir ao salão pintar e cortar o cabelo. A força para enfrentar todos os desafios vem da grande fé. Todos os dias, ela e o marido assistem a missa na televisão e rezam o terço, aos domingos o caminho é o da igreja. "Nossa família é unida na fé católica, todos têm esta fé, que nos uniu mais ainda". Todo o ano, a família se reúne para fazer melado e lembrar dos tempos antigos. Se depender da vontade de viver de dona Paula, ela participará desta festa por, pelo menos, mais sete anos.