Gaspar vai celebrar a 171ª Festa do padroeiro São Pedro
Mais antiga festa religiosa da região será, mais uma vez, com regras de distanciamento
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Em 2019, foi a última vez que o público se reuniu nas escadarias da Igreja Matriz na festa do padroeiro / ARQUIVO JORNAL METAS
O movimento no entorno da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo já seria intenso desde o começo desta semana. Centenas de fiéis estariam se preparando para celebrar o padroeiro da primeira paróquia da cidade. São Pedro Apóstolo é também, para os Católicos, o padroeiro de Gaspar. Porém, a celebração religiosa mais popular e antiga do município - chega à 171ª edição - mais uma vez vai acontecer dentro das regras de distanciamento em função da pandemia. Sem barracas no Cristo Rei, sem roda da fortuna, sem leilão de animais presencial, sem procissão náutica e com limite de pessoas na igreja, mas com um otimismo que nem o frio derruba, como destaca frei Paulo Moura, pároco da Matriz São Pedro Apóstolo. "Sim, teremos frio, mas a previsão é também de dias ensolarados, estamos com bastante voluntários para auxiliar na preparação dos alimentos que serão comercializados durante os quatro dias. A celebração de São Pedro será mais uma vez um sucesso", antecipa. Frei Paulo lembra que, embora 29 de junho seja oficialmente o dia de São Pedro e também de São Paulo, padroeiro da Diocese de Blumenau, a Igreja Católica no Brasil sempre transfere as celebrações destes dois santos, para o domingo seguinte à data".
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Em 2020, o evento ocorreu no sistema online / FOTO DIVULGAÇÃO
Com o tema "Com coração de pai, somos irmãos em diálogo, a exemplo de São Pedro e São José, a programação religiosa começa nesta quinta-feira (1º), com o primeiro Dia do Tríduo, com destaque para a família: "Projeto de Deus", a partir das 19 horas. Outras duas missas do Tríduo vão acontecer na sexta e sábado, também com início às 19 horas. As missas são abertas ao público, porém, com limitação de público para garantir o distanciamento. Na manhã de domingo ocorre o grande evento religioso, que é a Missa do Padroeiro, que em tempos normais é também a Missa dos Festeiros, que reúne grande público e os casais voluntários da festa. Para essa celebração é preciso retirar o convite antecipado na Secretaria da Paróquia. Para as demais missas não é necessário.
Festejos populares
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Em 2020, gasparenses atenderam ao pedido da Igreja e compraram o churrasco para retirada em drive-thru / FOTO LUIZ E. SCHRAMM
A programação popular também vai acontecer de 1º a 4 de julho (veja programação na página ao lado), todas no sistema drive-thru, ou seja, compra o cartão e retira o alimento no estacionamento do Cristo Rei. A primeira atração é a tradicional macarronada, a partir das 18h desta quinta-feira (1º). Na sexta-feira e sábado será a vez do sonho e do pastel, dois quitudes muito apreciados nos festejos populares de São Pedro. A venda e entrega vão acontecer das 8 às 18h. No sábado e domingo também será comercializado o churrasco, além do leilão de gado, na tarde de domingo, que será online e com transmissão da TV Gaspar, Rádio Sentinela e Facebook da paróquia. Os cartões de alimentos seguem à venda na Secretaria da Paróquia e em outros cinco pontos da cidade (veja lista na página ao lado). Frei Paulo explica que no dia dos eventos também serão comercializados cartões de alimentos, mas para melhor organização ele orienta as pessoas que comprem com antecedência. "O sucesso financeiro da festa vai depender da venda destes cartões, por isso estamos pedindo que as pessoas ofereçam também a outros familiares", reforço o pároco.
Veja onde comprar antecipado o seu cartão de alimentos da festa
- Relojoaria Max
- Ki Loja
- Cine Foto Mary
- Xodó Som
- Secretaria Paroquial
- Online: Aplicativo Pedidos 10.
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Registros históricos
Nestes 171 anos de celebrações a São Pedro, poucas vezes a festa deixou de acontecer. Comprovadamente por meio de registros históricos, isto ocorreu duas vezes. Em seu livro "158 anos Nas Malhas da História", frei Elzeário Schmitt (in memorian) menciona o cancelamento da festa no ano de 1983, devido à grande enchente. A comunidade já estava preparando os festejos em honra ao padroeiro quando o nível do rio Itajaí-Açu começou a subir, chegando a 16,20 metros. Com grande parte da cidade alagada, o salão Cristo Rei serviu de abrigo para cerca de 800 pessoas. Os mantimentos já estocados para os fetejos populares acabaram por alimentar as famílias desalojadas. "A fim de que a paróquia não ficasse sem a festa do padroeiro, em 23 de outubro foi realizada uma pequena comemoração, mais como uma confraternização do povo", relata frei Elzeário. Em 1992, a festa foi mais uma vez adiada, e a causa foi novamente uma ameaça de enchente que, felizmente, não se confirmou. Não se tem também nenhum registro de cancelamento da festa na outra pademia, a chamada Gripe Espanhola, que matou milhares de pessoas no mundo, inclusive no Brasil, entre os anos de 1918 e 1920.
No entanto, relatos orais dão conta de que outros possíveis adiamentos aconteceram de fato, quando a igreja matriz ficava ainda do outro lado do rio, na margem esquerda. Na "igrejinha", inaugurada em 1850, antes mesmo da criação da freguesia, as comemorações ao padroeiro ocorriam anualmente. Os fiéis, porém, para chegar até o local, precisavam descer ou subir o rio e nem sempre as condições possibilitavam a navegação. "Porém, não conhecemos relatos escritos sobre isso", alerta a pesquisadora Leda Maria Baptista.
Mesmo com a pandemia, as celebrações ao padroeiro não vão deixar de acontecer em Gaspar. A programação está reduzida, mas os gasparenses poderão participar tanto da programação popular quanto da religiosa e ajudar a igreja a se manter.
A primeira comunidade Católica do Médio Vale
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A primeira igrejinha, na margem esquerda, berço do catolicismo na região / FOTO ARQUIVO HISTÓRICO DE GASPAR
Foi na modesta capelinha, construída em madeira, com paredes de barro e telhado de folhas, que a primeira comunidade católica da região - e a mais antiga do Médio Vale do Itajaí - foi formada. Em maio de 1835, teve início a colonização das terras no Pocinho e Belchior - a chamada Colônia Itajaí. Em sua maioria, eram colonos alemães, vindos de São Pedro de Alcantâra, que formaram o Núcleo do Belchior. Não havia nenhuma assistência religiosa e qualquer igrejinha na região. Sendo assim, era na casa das famílias que os primeiros colonos se reuniam para as orações. Assim foi até a chegada de Frederico Guilherme Schramm à freguesia, em 1848, vindo da Alemanha com sua família. Líder nato, Frederico conseguiu mobilizar os colonos para que, juntos, construíssem a igrejinha da margem esquerda. O templo foi inaugurado dois anos depois, no dia 29 de junho de 1850, quando também recebeu a imagem de São Pedro Apóstolo. Neste dia, foi realizada a primeira festa de São Pedro. A capelinha foi também a primeira igreja matriz da paróquia, criada oficialmente em 25 de abril de 1861.
Com o passar dos anos, a igrejinha se tornou pequena para o número de fiéis e sua estrutura precária. Sendo assim, a comunidade católica percebeu a necessidade de se construir uma nova igreja - e ela deveria ser na margem direita já que ali o povoamente era mais acelerado. Além disso, havia um terreno para este fim, doado em 1857 pelo Dr. Hermann Blumenau, um Luterano. A "colina", como era chamada, começou a ser desmatada em 1865 e, dois anos depois, em 1867, a nova igreja foi inaugurada. Ela foi utilizada pelos católicos por 18 anos e, em 1885 uma nova matriz foi erguida. A construção foi demolida em 1942, para dar lugar a atual e majestosa matriz, principal cartão-postal da cidade "Coração do Vale" .
Os festejos
A professora e pesquisadora Leda Maria Baptista conta que os festejos ao padroeiro passaram a ter critérios de organização e envolvimento bem definidos e eficientes a partir da chegada dos padres franciscanos, em 1900. "Quase toda alimentação e mão de obra para armar as barracas, arrecadar brindes para as rifas, cozinhar, servir e limpar era voluntária. O lucro da festa também era alto e, assim, as obras da paróquia foram aceleradas". Fiéis de vários lugares vinham a Gaspar para prestigiar o evento religioso. "Quando eu era criança, na década de 1950, a festa causava ansiedade na comunidade. Era o dia de usar roupa nova, encontrar os parentes e almoçar na festa. Muitos familiares vinham de longe e as ruas do Centro ficavam todas ocupadas com charretes, carroças e alguns carros", recorda-se a pesquisadora da história de Gaspar e coordenadora do Arquivo Histórico de Gaspar. Um dos pontos altos do evento era a procissão de São Pedro Apóstolo, realizada até hoje. "A festa era também a grande oportunidade para os jovens iniciar um namoro que resultaria em casamento", revela Leda. Os festejos populares acontecem no Salão Cristo Rei, mas já a partir de 2019 parte da nova estrutura do Passeio São Miguel passou a receber a festa. O novo espaço já poderia estar pronto, porém, a pandemia fez a Igreja interromper as obras.