Alunos e professores protestam em frente a Honório Miranda

A manifestação, que também foi mais uma homenagem à professora Viviana Schmitt, pede vacinação para os professores

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FOTOS ALEXANDRE MELO/JORNAL METAS

AAlunos, professores e funcionários da Escola de Educação Básica Honório Miranda realizaram uma manifestação silenciosa no final da manhã desta sexta-feira (23) em frente à instituição. no Centro de Gaspar. O motivo foi alertar as autoridades da área da saúde para a necessidade urgente de vacinar professores e funcionários das redes de ensino estadual, municipal e privada. O movimento surgiu depois da morte da professora Viviana Maria Schmitt, a Vivi, de 57 anos, na última terça-feira (20), vítima de complicações provocadas pela COVID-19. A manifestação desta terça-feira também foi mais uma homenagem da comunidade escolar à professora que deu aulas por mais de 30 anos na rede de ensino de Gaspar. Segurando cartazes com fotos da professora e frases de agradecimento e, ao mesmo tempo, de protesto pela falta de vacina, alunos, professores e funcionários permaneceram por cerca de meia hora em frente à escola. Todos usavam máscara e, a maioria, vestia preto.

Diretor da Honório Miranda, o professor Dioney Luiz Fernandes lembrou a profissional exemplar que foi a professora Viviana. "Ela contribuiu muito com a educação não apenas na Honório, mas em toda a rede ensino, por isso estamos aqui para externar o nosso sentimento de dor, de perda, pois não está sendo fácil", lamentou. A escola já havia feito uma homenagem à professora na noite de terça-feira, tão logo circulou a notícia da sua morte, porém, o diretor disse que aquela manifestação não foi suficiente em função do enorme sentimento de perda que tomou conta de toda a comunidade escolar. "Alunos e professores vieram nos pedir para que uma nova manifestação fosse feita", contou Dioney. Ao mesmo tempo, a direção da escola e professores decidiram também chamar a atenção para a necessidade de vacinar logo os professores. O diretor lembra que a educação é uma atividade considerada essencial pelos governos, porém, inexplicavelmente a categoria ainda terá que aguardar muito tempo para receber as doses da vacina. "Os professores estão na linha de frente, por que não vaciná-los?", questiona. Dioney observou que o ano de 2020 foi bastante difícil para a educação, quando os professores precisaram trabalhar em home office. Neste ano, por determinação da Secretaria de Estado da Educação, todos retornaram para a sala de aula sem chance de escolha e correndo riscos . "Diante dessa situação, entendemos que era preciso fazer algo para chamar a atenção das autoridades, pois não podemos perder mais professores, alunos nem pais como já aconteceu. É neste sentido que estamos realizando essa manifestação", explicou. O diretor revelou que já ocorreram alguns casos de COVID-19 na escola, porém, eles são pontuais, cerca de dois a três por semana. "A escola tem adotado todos os procedimentos para que não ocorram muitos casos, mas volto a insistir que a vacinação dos professores é fundamental para reduzirmos os riscos no ambiente escolar".

Segurando um cartaz em que manifestava toda a sua tristeza com a morte da professora Vivi, a aluna do Terceirão, Sofia Isabel Wilbert, afirmou que muitos professores não tem opção de trabalhar home office. "O governo deveria ter incluído os professores no grupo prioritário, afinal, a educação não é prioridade no País?", questiona a jovem. Emocionada, Sofia recordou que a professora Vivi decidiu vir para a escola dar apoio aos alunos e ensinar, que era algo que ela sabia fazer muito bem. "Ela foi uma das melhores professoras que eu tive, também deu aulas para a minha mãe", contou Sofia. Iago Muller, também aluno do Terceirão, vê os professores expostos ao risco da contaminação nas aulas presenciais, por isso decidiu participar do protesto. "Estamos aqui para alertar as autoridades para a vacinação urgente dos professores, para que a escola não tenha mais perdas", acentuou.

Quem também se juntou à manifestação foi o professor de Matemática e Física, Giuliano Carlos Dall'Agnol. Segundo ele, o protesto é pelo fato da educação em Gaspar ter perdido uma grande professora e que não teve a opção de ficar em casa. Ele lembrou que existem muitos professores com idade avançada, como era o caso da própria Viviana. "Os nossos governantes não estão nem aí para o fato dos professores estarem na linha de frente. Eles precisam rever essa decisão e acelerar a vacinação já que a educação é essencial", afirmou Giuliano. Ele também chama atenção para o fato dos professores serem apenas o oitavo grupo prioritário no cronograma de vacinação do Ministério da Saúde. "Vamos receber a vacina depois dos presidiários, ou seja, vai chegar lá pelo mês de setembro. Será preciso morrer mais professores para o governo mudar essa decisão?", finaliza.

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FOTO ALEXANDRE MELO/JORNAL METAS