Médio Vale do Itajaí e Vale Europeu lançam diagnóstico inédito que destaca o papel da natureza para a adaptação climática na região
Estudo desenvolvido pelo ICLEI América do Sul em parceria com o CIMVI e a AMVE identifica oportunidades para fortalecer a conservação ambiental e a resiliência climática de 17 municípios catarinenses.
A Associação de Municípios do Vale Europeu (AMVE), o Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI) e o ICLEI América do Sul lançam em Blumenau (SC), no próximo dia 29 de outubro, o Diagnóstico de Serviços Ecossistêmicos (DSE) do Médio Vale do Itajaí e Vale Europeu. O estudo identifica as contribuições da natureza para a população e aponta oportunidades para a conservação, a restauração ambiental e o fortalecimento da contribuição dos ecossistemas para a adaptação à mudança do clima. Inserida na Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-Açu, a região apresenta características territoriais que ampliam a exposição da população a eventos climáticos extremos, como inundações e deslizamentos. Diante desses desafios, compreender a relação entre os ecossistemas e a ocupação do território é fundamental para orientar políticas públicas que conciliam desenvolvimento sustentável, proteção da biodiversidade e redução de riscos. O resultado do Diagnóstico de Serviços Ecossistêmicos mostra um território com 67% de formações naturais, bem acima da média estadual de 47%.
A região tem mais de 11 mil nascentes e grandes estoques de carbono nas florestas do entorno do Parque Nacional da Serra do Itajaí, sobretudo em Rio dos Cedros, Apiúna, Indaial e Blumenau. O diagnóstico também aponta onde estão as áreas com impactos ecossistêmicos mais significativos: quase todos os municípios têm um percentual de erosão muito alto - entre 10% e 20% do valor total de solo erodido - , ligado a solos mais frágeis e também a atividade humana. Já as áreas urbanas são as que mais escoam água da chuva, fator diretamente ligado às enchentes e deslizamentos que marcam a história da bacia do Itajaí. A iniciativa faz parte do trabalho de Conformidade Climática desenvolvido pelo ICLEI América do Sul, em parceria com a AMVE e o CIMVI, e conta com o financiamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A programação também contará com uma oficina interna para a construção do Plano de Redução de Riscos, etapa do projeto que integra o desenvolvimento dos instrumentos de planejamento climático da região. “O ICLEI vem trabalhando há anos junto aos governos locais para transformar o conhecimento técnico em ações concretas diante da crise climática. No Médio Vale do Itajaí e Vale Europeu, esse trabalho é especialmente importante diante do histórico de inundações, que reforçam e apontam a necessidade de preparar cada vez mais os territórios brasileiros aos impactos climáticos. A elaboração desses instrumentos de planejamento, ampliam a capacidade de antecipar riscos, reduzir vulnerabilidades e orientar ações que protejam vidas e evitem que eventos extremos se transformem em novas catástrofes”, afirma Rodrigo Perpétuo, secretário executivo do ICLEI América do Sul.
“Em uma região que conhece os impactos das enchentes e dos deslizamentos, e que já viveu situações complexas quanto a isso, compreender o papel das nossas florestas, nascentes e rios é essencial para planejar as ações futuras. Este diagnóstico oferece uma base técnica para que os municípios identifiquem prioridades e orientem ações de conservação e restauração que contribuam para a segurança e a qualidade de vida da população. Para o CIMVI, essa entrega fortalece uma convicção de que os desafios climáticos ultrapassam as divisas municipais e precisam ser enfrentados de forma conjunta. Ao integrar conhecimento e planejamento regional, ampliamos a capacidade dos municípios de agir preventivamente, proteger nosso patrimônio natural e construir um desenvolvimento mais seguro para toda a região”, afirma o diretor executivo do CIMVI, Fernando Tomaselli.” “Os eventos climáticos não respeitam limites municipais. Por isso, a Amve acredita que a resposta precisa ser construída em conjunto, com planejamento integrado e decisões baseadas em informação técnica de qualidade. O Diagnóstico de Serviços Ecossistêmicos dá aos municípios uma visão clara de onde estão as áreas que mais nos protegem e onde estão as maiores fragilidades. A partir dele, podemos priorizar investimentos, incorporar soluções baseadas na natureza e tratar a redução de riscos como parte do desenvolvimento, e não apenas como resposta a emergências.
Prevenir é proteger vidas e também é uma forma mais inteligente e econômica de fazer gestão pública”, afirma o diretor executivo da Amve, Cassio Quadros. Um trabalho contínuo para fortalecer a resiliência catarinense A parceria entre o ICLEI, o CIMVI e a AMVE já resultou em uma entrega realizada em março de 2026: a 1ª Análise de Emissões de Gases de Efeito Estufa (AEGEE), que revelou que as emissões líquidas passaram de 2,04 MtCO2e (megatoneladas de CO2 equivalente) para 1,81 MtCO2e no período analisado. O relatório indicou ainda que, apesar das oscilações anuais, a trajetória geral indica tendência de declínio, influenciada principalmente pela redução das emissões associadas ao Uso da Terra – mais notadamente, à diminuição expressiva no desmatamento, aponta a análise: neste caso, a redução de 93% no período analisado. Agora, o DSE amplia o trabalho com o seu diagnóstico territorial e evidencia como os ecossistemas contribuem para a qualidade de vida da população e para a resiliência da região. Com mais esta etapa, o projeto avança para odesenvolvimento do Plano de Redução de Riscos (PRR), que busca apoiar o planejamento e a definição de estratégias de prevenção e redução de riscos de desastres.
A oficina prevista para o dia 29 de outubro integra esse processo e contribui para a elaboração da Análise de Riscos e Vulnerabilidades Climáticas (ARVC), instrumento que permitirá aprofundar a compreensão dos impactos climáticos sobre o território e orientar medidas de adaptação. Na sequência, os estudos e diagnósticos desenvolvidos no âmbito da Conformidade Climática subsidiarão a elaboração dos Planos Regionais de Ação Climática (PLACs), que deverão estabelecer diretrizes e prioridades para fortalecer a atuação dos 17 municípios diante dos desafios climáticos. Sobre o Evento O lançamento do Diagnóstico de Serviços Ecossistêmicos do Médio Vale do Itajaí e Vale Europeu e a oficina do Plano de Redução de Riscos serão realizados no dia 29 de outubro, das 9h30 às 17h, com intervalo para almoço, no auditório da sede da AMVE, em Blumenau (SC).
A programação reunirá representantes e atores envolvidos no planejamento regional para apresentar os resultados do diagnóstico e avançar na construção de estratégias voltadas à conservação dos ecossistemas, à adaptação às mudanças climáticas e à redução de riscos de desastres. As inscrições para o lançamento estão abertas em [LINK], enquanto a participação na oficina é reservada às equipes técnicas do ICLEI, CIMVI, AMVE e seus municípios. Sobre o ICLEI Fundado em 1990, o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade é uma rede global de governos locais e regionais dedicada ao desenvolvimento urbano sustentável. Com atuação em mais de 130 países, conecta mais de 2.500 administrações públicas, oferecendo suporte técnico e político para a implementação de soluções de baixo carbono, resilientes, baseadas na natureza, circulares e socialmente justas.
Na América do Sul, atua desde 1994 e reúne mais de 150 governos associados em oito países, apoiando cidades e estados na implementação de políticas públicas alinhadas às agendas globais de clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável. Serviço Evento: Lançamento do Diagnóstico de Serviços Ecossistêmicos (DSE) e oficina do Plano de Redução de Riscos do Médio Vale do Itajaí e Vale Europeu Data: 29 de outubro de 2026 Horário: Das 9h30 às 17h, com intervalo para almoço Local: Auditório da sede da AMVE — Rua Alberto Stein, 466, bairro Velha, Blumenau (SC) Contatos para imprensa: Gustavo Barboza (ICLEI): gustavo.barboza@iclei.org Michele (AMVE): comunicacao@amve.org.br Maria Eduarda (CIMVI): imprensa@cimvi.sc.gov.br