Polêmica envolve comunidade indígena
Neste ano, o governador Jorginho Mello se envolveu em um bate-boca com indígenas
Em época de estiagem, as comportas das barragens permanecem abertas. O problema é quando o indicativo é de muita chuva no Vale do Itajaí. As barragens rapidamente transbordam, sendo preciso operar e abrir as comportas de forma controlada antes que a água passe por cima delas.
O risco de rompimento da barragem existe e assusta os moradores próximos, mas, de acordo com o relatório de fiscalização da Agência Nacional de Águas (ANA), as três barragens não têm classificação de risco alto, embora se a ruptura ocorrer os danos serão enormes por conta da localização próxima a áreas habitadas. As três barragens do Vale, juntas, têm capacidade para reter quase 560 milhões de metros cúbicos de água, segundo o site da Defesa Civil.
Somente a barragem de José Boiteux consegue reter 357 milhões de metros cúbicos de água, daí dá para calcular o prejuízo que a desativação ou falta de manutenção dessa barragem pode provocar no caso de uma enchente. Sem o funcionamento correto do sistema, a estrutura de defesa contra as enchentes fica bem menor do que a necessária, ou seja, os riscos da inundação atingir mais cidades e regiões aumentam significativamente.
Em julho de 2026, a barragem de José Boiteux voltou a ser palco de tensões. Durante uma agenda oficial de vistoria às obras no local, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), foi filmado xingando indígenas do povo Xokleng que protestavam contra o andamento dos compromissos e obras assumidas pelo Estado. A primeira situação ocorreu enquanto ele concedia entrevista e afirmava estar “restaurando tudo que foi destruído pelos indígenas”. Em seguida, interrompeu a própria fala, olhou na direção dos manifestantes e proferiu palavrões. Ao retomar a entrevista e ser questionado por uma liderança feminina que exigia respeito e melhorias, novamente o governador foi deselegante.
Ao ser informado de que falava com uma cacique, respondeu “e eu com isso?”. Em nota oficial, o Governo do Estado alega que um grupo se aproximou em protesto com reivindicações diversas, incluindo pautas federais. Diante do cenário, o Ministério Público Federal (MPF), em reunião com o governador Jorginho Mello, a Secretaria do Estado da Defesa Civil e o Comando-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina, definiu os protocolos de atuação conjunta para o cumprimento da decisão da Justiça Federal para a desocupação, por medidas de segurança, da área nas proximidades da barragem de José Boiteux.
A estratégia acordada visa garantir o cumprimento da ordem judicial com o menor impacto possível para as famílias atingidas, preservando os acordos e compromissos firmados com o governo estadual em relação à ocupação da área. As diretrizes traçadas estabelecem uma atuação coordenada entre as forças policiais e os órgãos ambientais e de proteção civil, visando assegurar o cumprimento das determinações de forma pacífica, respeitando integralmente os acordos celebrados e garantindo a segurança e a assistência das famílias locais.
Com a pactuação desses protocolos entre os órgãos estaduais e federais, busca-se assegurar que a liberação completa do perímetro de segurança ocorra sem confrontos, viabilizando o fluxo normal dos trabalhos de engenharia e operacionalização do reservatório.