Encontro da grande família oliveira reúne cinco gerações em Gaspar

Encontro se repete há 22 anos, preservando as raízes dos descendentes de Marcelino e Clara Oliveira

Por João Vitor Costa

Um grade encontro dos Oliveiras que acontece há duas décadas

Há histórias que o tempo não apaga; pelo contrário, ganham ainda mais força quando contadas ao redor da mesa. No último domingo, dia 23, o Restaurante Questão de Gosto, no Bairro Poço Grande, foi cenário de mais uma página marcante da família Oliveira: a 20ª edição do tradicional encontro de descendentes de Marcelino Amaro de Oliveira (1900-1972) e Clara Pamplona de Oliveira (1905-1992). Há duas décadas, o evento renova o compromisso da família em preservar raízes, honrar o passado e cultivar o afeto entre as novas gerações. 

Há quase 100 anos, o sim no altar da igreja

A trajetória que uniu cerca de 100 familiares neste ano começou a ser traçada há quase 100 anos. No dia 20 de novembro de 1926, Marcelino, com 25 anos, e Clara, com 21, subiram ao altar da igreja para o "sim". Dessa união nasceram dez filhos: Aniceto, Maria, Antonino, Inês, José Pedro, Elza e Antônio — já falecidos —, além de Sebastião, Ernesto e Edmundo, que participaram da celebração do último domingo. Ao longo de um século de história, a semente do casal frutificou em uma árvore de 55 netos, 96 bisnetos, 89 tataranetos e um pentaneto.

A memória de Marcelino e Clara permanece viva no exemplo de dignidade e trabalho. Filho de imigrantes europeus nascido em Apiúna no alvorecer do século XX (em 29 de dezembro de 1900), Marcelino chegou ainda jovem ao Distrito do Belchior, depois que seu pai ficou viúvo. Na época em que o transporte dependia do passo dos cavalos e do rodar das carroças, o jovem Marcelino ganhou respeito como um habilidoso ferreiro que fazia a manutenção das chapas das rodas dos carroções.

Por volta de 1935, porém, ele trocou o martelo e a bigorna pela enxada e fez história ao se tornar um dos primeiros agricultores a cultivar arroz no Belchior — num cenário agrícola dominado pela mandioca e a cana-de-açúcar. Da terra, plantando também milho e criando vacas leiteiras, o casal tirou o sustento para criar os dez filhos. Clara dividia-se com bravura entre os cuidados com os filhos, a casa e a lida no campo. Mais do que agricultores, Marcelino e Clara foram pilares da comunidade: ajudaram a erguer a primeira capela do bairro, participaram ativamente das festas locais — onde Marcelino atuava como dedicado leiloeiro de prendas — e deixaram um testemunho eterno de solidariedade e fé.

Para celebrar essa herança espiritual e afetiva, o encontro dos Oliveira teve início com uma Celebração da Palavra ministrada pelo diácono João de Oliveira, neto do casal, seguida de um almoço festivo.

"Fortalecer os laços familiares"

Manter viva essa chama é a grande motivação dos organizadores. Como recorda Osni de Oliveira, a ideia do primeiro encontro surgiu há mais de 20 anos para combater o distanciamento natural que o crescimento da família provocava. “Com o passar dos anos, a família cresceu muito. Manter essa tradição é uma forma de preservar nossa história, fortalecer os laços e fazer com que as próximas gerações também conheçam e valorizem a história de Marcelino e Clara”, destaca Osni, lembrando que o momento também permite às novas gerações descobrirem suas origens, e sentirem orgulho dela.

Envolvida na organização e no resgate documental da família, Evili Oliveira reforça que o encontro é uma ponte constante para o acolhimento: “A cada edição, surgem novos parentes, novas gerações e pessoas que ainda não se conhecem. É a oportunidade de descobrir os nossos laços e fortalecer ainda mais a união da família”.
Marcelino faleceu em 29 de agosto de 1972, e Clara, em 28 de fevereiro de 1992. Mas, ao olhar para os quase 100 descendentes reunidos, fica evidente que o maior bem que deixaram não se mede em terras, mas sim no amor que continua reunindo a família Oliveira ao redor da mesma origem e do mesmo significado.

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