Polícia Civil do DF deflagra operação contra grupo extremista que planejava ataques em Brasília
Alvos estariam na Esplanado dos Ministérios
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), a Operação Rede Interrompida com o objetivo de desarticular um grupo extremista que planejava ações violentas na Esplanada dos Ministérios. As investigações apontam que a organização pretendia promover invasões e atos antidemocráticos na capital federal durante o período eleitoral de outubro de 2026.
Agentes cumpriram oito mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As ordens judiciais foram executadas simultaneamente em cinco estados: Paraná, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Os alvos da ação são jovens com idades entre 19 e 31 anos. Durante os cumprimentos dos mandados, os investigadores apreenderam material considerado crucial para o inquérito: mapas detalhados da região central de Brasília, plantas do Palácio do Planalto e manuais com instruções para a fabricação de artefatos explosivos.
Nesta fase inicial, os suspeitos são investigados pelos crimes de associação criminosa, incitação ao crime e apologia à violência. Segundo a PCDF, a apuração não inclui, no momento, o enquadramento na Lei de Terrorismo, mas o material apreendido passará por perícia para identificar outros possíveis integrantes e desdobramentos da rede investigada.
Blumenau e Corupá
Em Santa Catarina, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nas cidades de Blumenau e Corupá. O trabalho foi realizado Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio do CyberGAECO, do Ministério Público de Santa Catarina.
Segundo o MPSC, as apurações tiveram início após o recebimento de relatório técnico elaborado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Com base nas informações levantadas, a DPCEV instaurou inquérito policial e aprofundou a análise dos elementos relacionados aos investigados.
Durante as investigações, foram identificadas comunicações que fazem referências recorrentes a Brasília como destino de uma mobilização planejada para o período eleitoral de 2026. Entre os conteúdos analisados estão discussões sobre invasão de edificações, definição de possíveis alvos, formação tática, recrutamento de participantes em diferentes estados, análise de mapas e compartilhamento de plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de prédios localizados na região central da capital federal.
Também foram identificados compartilhamentos de conteúdos relacionados à fabricação de artefatos explosivos, circunstância que motivou o aprofundamento das investigações e a adoção de medidas cautelares para preservação de provas.
As diligências visam a apreender dispositivos eletrônicos e outros materiais de interesse investigativo, preservar evidências digitais, identificar possíveis envolvidos ainda não mapeados e esclarecer o grau de organização e o estágio de desenvolvimento das ações discutidas pelos investigados.
Os materiais arrecadados serão submetidos à análise técnica e pericial. Os elementos obtidos irão subsidiar o avanço das investigações e contribuir para uma avaliação mais detalhada dos fatos apurados.