MP vai atuar nas políticas públicas de defesa animal nos municípios de SC

Projeto Guardião da Vida Animal já está implantado em 12 Promotorrias de Justiça

Por Alexandre Melo

De acordo com a perícia, as marcas no rosto do cão são resultado de uma infecção óssea

O Ministério Público de Santa Catarina lançou o MP Guardião da Vida Animal com o objetivo de estruturar políticas públicas permanentes de proteção e bem-estar animal nos municípios catarinenses. Em menos de uma semana, 12 Promotorias de Justiça já aderiram ao projeto, criado pelo Grupo Especial de Defesa dos Direitos dos Animais (GEDDA) a partir de um diagnóstico inédito com base em dados oficiais da Secretaria de Estado da Segurança Pública. A Promotoria de Gaspar ainda não aderiu ao programa.

A proposta busca transformar informações sobre maus-tratos e abandono em ações concretas de prevenção, educação e gestão pública. A ideia é fortalecer a atuação das Promotorias ao lado das prefeituras, ampliando a capacidade de monitoramento, fiscalização e resposta institucional diante de casos recorrentes de violência contra animais.

Medidas previstas pelo projeto

Entre as frentes incentivadas estão programas permanentes de castração, identificação e registro de animais, campanhas educativas, capacitação de servidores públicos e fortalecimento dos canais de denúncia. O projeto também estimula o aperfeiçoamento da legislação municipal e o acompanhamento sistemático das ocorrências para evitar a reincidência dos casos.

As Promotorias aderentes passam a atuar de forma articulada com os municípios para acompanhar a implementação dessas políticas. Segundo o MPSC, a meta é criar uma estrutura duradoura, capaz de reduzir tanto os maus-tratos quanto o abandono por meio de ações contínuas e integradas.

Adesão rápida e atuação em municípios com mais registros

As unidades participantes estão em oito dos dez municípios catarinenses com maior incidência proporcional de registros de maus-tratos entre 2023 e 2025, de acordo com o levantamento apresentado no lançamento. Além das adesões ligadas a esse ranking, a Promotoria de Justiça de Cunha Porã também entrou espontaneamente no projeto, mostrando o interesse de outras comarcas em aplicar as diretrizes da iniciativa.

Em Jaguaruna, o promotor substituto Tito Gabriel Cosato Barreiro já começou a receber apoio do programa. Ele relatou preocupação com o número de animais abandonados e afirmou que o projeto deve ajudar a padronizar a atuação e dar mais subsídios para enfrentar o problema de forma organizada.

Florianópolis cria atuação integrada

Na Capital, que também aparece entre os municípios com maior número de casos, as promotorias ambientais iniciaram uma articulação com o Comando da Polícia Militar Ambiental, a Delegacia de Proteção Animal de Florianópolis e a Diretoria de Bem-Estar Animal (DIBEA). O encontro marcou o começo da construção de uma metodologia conjunta para situações graves de maus-tratos, com foco em respostas mais rápidas e efetivas.

Entre as medidas em estudo está a criação de um cadastro específico para registrar e acompanhar os casos mais graves, permitindo controle institucional, fiscalização do cumprimento de decisões judiciais e prevenção de reincidência. Os trabalhos devem continuar nos próximos meses, com nova reunião prevista para agosto para definir os próximos encaminhamentos.

Segundo a promotora Simone Cristina Schultz, coordenadora do GEDDA, a adesão rápida demonstra o engajamento das unidades do Ministério Público na busca por soluções permanentes. A expectativa é que o projeto avance gradualmente para outras comarcas do estado e consolide uma rede de proteção animal mais integrada em Santa Catarina.