Impasse na Barragem de José Boiteux ameaça segurança de 1,5 milhão de pessoas no Vale do Itajaí diante de alerta de chuvas
Confira a entrevista do comunicador Alexandre José ao Jornal Metas
Em entrevista ao Jornal Metas na última quinta-feira, dia 16, o comunicador Alexandre José criticou a lentidão do Governo Federal, a postura das lideranças indígenas e cobrou agilidade do Governo do Estado para a conclusão das obras da barragem de José Boiteux antes da chegada do fenômeno El Niño.
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A falta de pleno funcionamento da Barragem Norte — a maior estrutura de contenção de cheias de Santa Catarina, com capacidade para 357 milhões de metros cúbicos de água —, segue como uma das principais ameaças de segurança para cerca de 20 municípios do Vale do Itajaí. Em entrevista ao do Jornal Metas, Alexandre José, que soma quase 40 anos de carreira no rádio e TV, alertou para os riscos que a paralisação das obras de reforma traz para as cidades que dependem da estrutura, desde o Alto Vale até Navegantes.
A crise entre governo e indígenas, que se arrasta há mais de duas décadas, teve mais um capítulo no dia 8 de julho, quando o governador do estado, Jorginho Mello e equipe da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil foram ao local para verificar o andamento das obras em uma das comportas, que estava desativada, da barragem. A manutenção é considerada urgente, visto que a previsão do fenômeno El Niño indica chuvas intensas a partir de setembro, e o conserto deve levar de um a dois meses. Sem a comporta operando, estima-se que o nível da água do rio na região de Gaspar possa subir até 2,5 metros além do normal em caso de cheia.
Conflito e novas exigências
A operação de manutenção, no entanto, resultou em um conflito com a comunidade indígena local, e que repercutiu bastante nas redes sociais.
A barragem de José Boiteux foi construída entre 1976 e 1992 dentro de uma reserva que abriga hoje cerca de 2.200 indígenas distribuídos em nove aldeias. Conforme o comunicador Alexandre José, promessas históricas não cumpridas por gestões passadas fizeram com que o território virasse uma "moeda de troca".
Apesar de um acordo firmado com o atual governo estadual em 2023, a retirada das peças no início do mês gerou hostilidades. Alexandre José, que estava presente no dia da visita do governador, relatou que Jorginho Mello foi acuado e ameaçado por manifestantes logo na chegada e reagiu de forma destemperada. “Algumas cenas, acabaram omitidas em vídeos que circularam nas redes sociais”, afirmou Alexandre José. Segundo ele, os indígenas passaram a exigir novas contrapartidas além do plano de contingência original — como escolas e pontes —, travando o andamento dos trabalhos.
"Os índios também são prejudicados se a barragem não funcionar, eles correm risco. Eles têm que pensar na gente e neles também", afirmou o comunicador, ponderando que o momento exige sensibilidade e não novas cobranças.
Críticas à União e papel dos representantes
Durante a entrevista, Alexandre José também direcionou críticas à ineficiência do Governo Federal, responsável legal pelas terras indígenas por meio da FUNAI. Para ele, o Estado precisou assumir a dianteira por omissão de Brasília. Ele criticou o pacto federativo, pontuando que o montante de impostos que Santa Catarina envia à União não retorna proporcionalmente em investimentos de infraestrutura e prevenção de desastres.
Cobrou também uma postura mais firme dos parlamentares catarinenses em Brasília e convocou a população e a imprensa regional a exercerem pressão conjunta sobre os governos estadual, federal e as comunidades indígenas, para que se encontre logo uma solução.
"O governo do estado precisa concluir pelo menos a parte das obras prometidas na reserva e os índios precisam ter sensibilidade. Não temos nada a ver com essa briguinha de esquerda e direita que não resolve nada; a população quer obra, segurança e o reparo rápido dessa comporta", concluiu.