Operações do gaeco/MPSC em Blumenau e região já bloquearam mais de R$ 54 milhões

As três operações foram deflagradas no mês de maio

Por Alexandre Melo

A pedido do MPSC, GAECO realizou três operações somente no mês de maio

Passam de R$ 54 milhões, os valores que o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) conseguiu indisponibilizar, até agora, nas três operações policiais deflagradas em maio, em Blumenau, Gaspár e outras cidades da região, por suspeitas de esquemas de fraudes em licitações e contratos públicos. Esse valor equivale a cerca de 34 mil salários mínimos no Brasil.

O levantamento foi atualizado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau na última quinta-feira (21). Das três, a Operação Ponto Final é a que envolve o maior volume de dinheiro e bens, em torno de R$ 50 milhões. O esquema envolvia servidores da Prefeitura de Blumenau e empreiteiros ligados aos serviços de obras em diversas cidades da região e fora dela.

O montante corresponde ao total de bens e patrimônios tornados indisponíveis pela Justiça a pedido do MPSC no âmbito das seguintes operações:

Ponto Final (R$ 50 milhões)

Arbóreo (R$ 3,6 milhões)

Sentinela (R$ 779 mil)

No âmbito da 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, os procedimentos investigatórios são conduzidos pelo Promotor de Justiça Marcionei Mendes. Para ele, a indisponibilização de bens em valores expressivos representa uma medida essencial para assegurar a efetividade das investigações e a futura reparação dos danos causados ao erário público, além de desestimular a atuação de grupos organizados voltados à fraude em contratações públicas. O Promotor de Justiça destaca, ainda, que a atuação integrada entre o Ministério Público e os demais órgãos de persecução tem sido fundamental para o avanço das apurações e para a proteção da lisura nas relações com a Administração Pública.

Para o Coordenador Estadual do GAECO, Promotor de Justiça Wilson Paulo de Mendonça Neto, trata-se de valores expressivos, que refletem a dimensão e o alcance das ações de enfrentamento às organizações criminosas. Ele destaca que uma das prioridades institucionais do MPSC é justamente a recuperação de ativos e patrimônios obtidos ilicitamente como forma de enfraquecer a atuação dessas organizações.

Operação “Ponto Final”

Valor indisponibilizado: R$ 50 milhões

Deflagrada em 6 de maio de 2026 pelo GAECO, em apoio a Procedimento Investigatório Criminal (PIC) instaurado pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, a operação apura fatos que indicam que, ao menos desde 2020, haveria um esquema estruturado envolvendo servidores públicos e empresários do setor de obras. O grupo atuaria no direcionamento de licitações e no superfaturamento de contratos públicos em Blumenau e municípios da região.

Foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão, além da imposição de medidas cautelares diversas da prisão a 11 investigados, incluindo uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contratar com a Administração Pública em todo o território nacional, nas esferas federal, estadual e municipal.

Operação “Arbóreo”

Valor indisponibilizado: R$ 3,6 milhões

Deflagrada em 7 de maio de 2026 pelo GAECO, em apoio a PIC instaurado pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, a operação apura a manipulação de procedimento licitatório para o fornecimento de refeições à rede pública de ensino. A investigação aponta para possível favorecimento da empresa vencedora, por meio de manobras jurídicas e acesso antecipado a informações sigilosas.

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Blumenau, Indaial e Araucária (PR). O nome “Arbóreo” faz referência a um ingrediente típico de preparo culinário, em alusão à empresa investigada por, em tese, efetuar pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos no contexto apurado. Estima-se que, em um período de 30 meses, o montante de propina tenha ultrapassado R$ 3,6 milhões, entre junho de 2022 e dezembro de 2024.

Operação “Sentinela”

Valor indisponibilizado: R$ 779 mil

Deflagrada em 7 de maio de 2026 pelo GAECO, em apoio a PIC instaurado pela 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, a operação investiga fatos ocorridos entre 2021 e 2024. Apura-se a existência de um esquema estruturado envolvendo servidores públicos e empresários das áreas de segurança patrimonial, limpeza urbana e serviços especializados. Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão nos municípios de Blumenau, Florianópolis e Itajaí.

A denominação “Sentinela” fundamenta-se no simbolismo associado à vigilância e à proteção. No caso investigado, um dos contratos analisados tinha por objeto a prestação de serviços de segurança em unidades de ensino, atividade de relevante interesse social, especialmente após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, ocorrido em Blumenau em 5 de abril de 2023.