Ação da Anvisa contra Ypê vira disputa política nas redes sociais

A decisão da agência provocou reação de aliados da direita, vídeos de apoio à marca e discussões sobre risco sanitário e perseguição política.

Por Alexandre Melo

Empresário dono da Havan decidiu entrar no bate-boca

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender a fabricação, comercialização e distribuição de produtos da marca Ypê, virou bate-boca político nas redes sociais. Simpatizantes da direita dizem que a decisão da Agência é uma retaliação política à doação financeira da empresa à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2022.

Vice-prefeito lava louça e diz que ação é "sacanagem"

No fim de semana,o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), publicou um vídeo onde aparece lavando louça com detergente da marca: "Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê.", afirma Ricado, que também compartilhou vídeos de apoiadores de Bolsonaro defendendo a empresa.

Mello esclareceu que é ex-funcionário da empresa e publicou o vídeo porque conhece a idoneidade da Ypê e que seu posicionamento é como cidadão. 

Luciano Hang entra na polêmica

Nesta segunda-feira, dia 11, foi a vez do empresário Luciano Hang entrar na polêmica. O "véio da Havan", como ele próprio se intiular, também aparece em um vídeo, publicado em sua rede social, lavando louça com o detergente da marca Ypê. "Ninguém entende mais de perseguição do que eu", diz o dono da rede de lojas Havan.

Acesse aqui para assistir ao vídeo completo

Entenda o caso

Segundo a Anvisa, após análise técnica laboratorial, alguns produtos da marca Ypê estariam contaminados com a bactéria Pseudomonas aeruginosa de alta resistência a antibióticos e, inclusive, de acordo com o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho em entrevista à Agência Brasil, trata-se de microorganismo de "vida livre". A bactéria pode causar doenças graves principalmente a grupos de pessoas com imunidade comprometida.

“Os itens foram fabricados pela empresa Química Amparo (CNPJ 43.461.789/0001-90), na unidade localizada em Amparo (SP)”, informou a Anvisa.

De acordo com a agência, a decisão foi tomada a partir de avaliação técnica de risco sanitário. “Foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade”, detalhou a Anvisa, ao explicar que tais requisitos são essenciais em termos de fabricação para garantir a segurança sanitária dos produtos.

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está suspensa após a fabricante apresentar recurso administrativo ao órgão. Mesmo assim, a Anvisa mantém o alerta de risco sanitário e orienta os consumidores a não usar os 23 itens com lotes de final 1 afetados pela decisão.

Segundo a empresa, o protocolo do recurso suspende automaticamente os efeitos da medida até novo posicionamento da agência reguladora, com base no artigo 17 da Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa 266/2019.

Em nota, a Ypê afirmou que o recurso foi apresentado para reforçar os compromissos assumidos no plano de ação e conformidade da empresa, além de fornecer novos esclarecimentos técnicos à Anvisa.

Com o recurso administrativo, os produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes podem continuar sendo fabricados e comercializados até nova manifestação da Anvisa.

A empresa afirmou ainda que seguirá em diálogo permanente com o órgão regulador para buscar uma solução definitiva.