Em duas décadas, mais de 26 mil pessoas receberam órgãos, células ou tecidos em SC

Levantamento também mostra queda no número de não autorização familiar

Por Alexandre Melo

A agilidade na logística é fundamental para garantir o transplante

Em duas décadas, mais de 26 mil pessoas receberam órgãos, células ou tecidos em Santa Catarina. Um número que reforça a liderança do estado em transplantes. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), divulgado na quarta-feira, dia 6, para cada 1 milhão de pessoas, 42,8 são doadores de órgãoes efetivos em Santa Catarina. Essa é a maior taxa do Brasil. O estado é também detentor da menor taxa de não autorização familiar do país: 32%. 

“A gente sabe que a doação de órgãos envolve uma rede complexa, mas que aqui no estado é muito bem amarrada pela SC Transplantes. É um momento muito delicado pra família que perdeu um parente estimado, que exige muita compreensão e conversa. É um gesto muito bonito, solidário e que salva muitas vidas”, afirmou o governador Jorginho Mello.

Entre janeiro e dezembro de 2025, a Central Estadual de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES), registrou 804 notificações de potenciais doadores, o que corresponde a uma taxa de 98,2 notificações por 1 milhão de pessoas, mantendo o estado entre os líderes nacionais nesse indicador estratégico. No mesmo período, a taxa nacional foi de 74,7 pmp.

“Santa Catarina, mais uma vez, está à frente do resto do país, salvando e melhorando a qualidade de vida da população. O SC Transplantes é uma Política de Estado que há muitos anos se destaca no cenário de doação e transplante no país e no mundo", destaca o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi. 

Segundo Demarchi, Santa Catarina tem investido na estrutura de atendimento e de transporte terrestre e aéreo que atende a população em todo o território catarinense e até em outros estados, de forma segura e ágil.

Em um processo complexo e sujeito a múltiplos desafios, o Estado foi o mais eficiente na conversão de potenciais doadores em doadores efetivos. Santa Catarina chegou a 43% na efetivação de doadores em relação ao número de notificações. Apenas outro estado também superou 40%.

O Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) também evidencia a força do sistema catarinense ao apontar que o índice de 42,8 doadores efetivos pmp — o maior do país — está entre os mais elevados da série histórica de SC. A taxa nacional ficou em 20,3 pmp. Pessoas de outros estados também são beneficiadas com a eficiência da rede de doações de órgãos em território catarinense.

Outro avanço relevante destacado no relatório anual da ABTO é a expressiva redução da taxa de não autorização familiar, que caiu de 70% em 2007 para 32% em 2025, o melhor resultado do país. Esse desempenho é fruto de investimentos contínuos em educação permanente e capacitação das equipes de saúde, especialmente das áreas de terapia intensiva, emergência e setores críticos.

Para o coordenador do SC Transplantes, Joel de Andrade, em 15 dos últimos 21 anos, o estado liderou a doação de órgãos para transplante no Brasil; e nos anos restantes se colocou em segundo lugar. "Os dados de 2025 mostram que a não autorização familiar foi de 32%, a taxa de efetivação foi de 43%, e a taxa de doação de órgãos efetivos foi de 42,8%, todos os melhores resultados do país. O conjunto desses dados revela que quem vive em Santa Catarina tem as melhores chances de receber um órgão ou tecidos quando precisar.” 

Entrevista familiar

A entrevista familiar, etapa mais sensível de todo o processo de doação e transplante, exige preparo técnico, empatia e comunicação qualificada. Para fortalecer essa abordagem, o estado realiza, em média, 10 Cursos de Comunicação em Situações Críticas por ano. Até 2025, 3.082 profissionais foram capacitados.

“Cada vez mais, famílias que enfrentam o momento mais difícil de suas vidas, que é a perda de um ente querido, têm autorizado a doação de órgãos e tecidos. Mesmo diante do luto, muitas optam por transformar a dor em um gesto de generosidade, contribuindo para salvar e melhorar a vida de outras pessoas. Este é, sem dúvida, o verdadeiro legado do SC Transplantes: transformar solidariedade em vida”, reforça Andrade.

Quero ser doador

A melhor maneira de garantir efetivamente que a vontade do doador seja respeitada, é fazer com que a família saiba sobre do desejo de doar do parente falecido. Na maioria das vezes os familiares atendem a esse desejo, por isso a informação e o diálogo são absolutamente fundamentais, essenciais e necessários. Não é preciso registrar a intenção de ser doador em cartórios, nem informar em documentos o desejo de doar, mas sua família precisa saber sobre o seu desejo de se tornar um doador após a morte, para que possa autorizar a efetivação da doação.

A doação consentida é a modalidade para a doação que mais se adapta à realidade brasileira. A previsão legal concede maior segurança aos envolvidos, tanto para o doador quanto para o receptor e para os serviços de transplantes.

Histórico clínico

Depois da confirmação da morte encefálica a família é entrevistada por uma equipe de profissionais de saúde, para informar sobre o processo de doação e transplantes e solicitar o consentimento para a doação. Após a manifestação do desejo da família em doar os órgãos do parente, a equipe de saúde realiza outra parte da entrevista, que contempla a investigação do histórico clínico do possível doador. A ideia é investigar se os hábitos do doador possam levar ao desenvolvimento de possíveis doenças ou infecções que possam ser transmitidas ao receptor.

Doenças crônicas como diabetes, infecções ou mesmo uso de drogas injetáveis podem acabar comprometendo o órgão que seria doado, inviabilizando o transplante. A entrevista é essencial para a que a equipe possa avaliar os riscos e garantir a segurança dos receptores e dos profissionais de saúde. para a que a equipe possa avaliar os riscos e garantir a segurança dos receptores e dos profissionais de saúde.