Koerich sanciona lei e novo gestor do Hospital de Gaspar já pode assumir

Depois da Câmara Municipal aprovar o Projeto de Lei 23/2026, prefeito sancionou a lei na manhã desta quarta-feira (15)

Por Alexandre Melo

Prefeito, secretário de saúde, vereadores no ato histórico de sanção da lei que transfere a administração do Hospital de Gaspar para a Fundação Hospitalar de Blumenau

Dezessis anos e dois meses depois de reabrir suas portas e mais de 11 anos depois de sofrer intervenção municipal, o Hospital de Gaspar vai, enfim, tomar um novo rumo. O prefeito Paulo Norberto Koerich sancionou, na manhã desta quarta-feira, dia 15, o Projeto de Lei 23/2026 que autoriza a concessão administrativa da casa de saúde gasparense à Fundação Hospitalar de Blumenau, que também administra o Hospital Santo Antônio. Na noite desta terça-feira, dia 14, a Câmara Municipal deu o sinal verde ao aprovar, por unanimidade, o projeto de lei. Koerich comemorou mais uma etapa na reestruturação do atendimento hospitalar no município. “A aprovação desse projeto nos permite seguir com mais segurança na reestruturação do hospital. Nosso compromisso é garantir um atendimento mais qualificado para a população, com responsabilidade na gestão e uso eficiente dos recursos públicos”.

Durante a fase de tramitação do projeto na Câmara Municipal, os vereadores tiveram a oportunidade de aprofundar a análise da proposta e esclarecer dúvidas junto a representantes do Hospital Santo Antônio, garantindo maior entendimento sobre o modelo de gestão a ser implementado.

Ações voltadas à modernização do hospital

A iniciativa do atual governo municipal integra um conjunto de ações voltadas à modernização da gestão hospitalar, com foco na qualificação dos serviços e na otimização dos recursos públicos. "O modelo prevê ainda a atuação de uma entidade com experiência na área da saúde, com a proposta de elevar o padrão técnico e assistencial da unidade", sustenta a Prefeitura.

Com a aprovação e sanção da lei, o próximo passo será a formalização da concessão administrativa e o início da transição operacional à Fundação Hospitalar Santo Antônio. De acordo com a Prefeitura, o processo será conduzido de forma gradual, com acompanhamento técnico, visando assegurar a continuidade dos atendimentos durante a mudança de gestão.

Governo do Estado repassou R$ 20 milhões

O processo de transformação do hospital, que está sob intervenção municipal há mais de 11 anos, ganhou novos capítulos em setembro de 2025, depois que o governador Jorginho Mello veio ao município para autorizar o repasse de R$ 20 milhões do Governo do Estado para a compra do prédio da instituição hospitalar.

Somado a uma contrapartida da Prefeitura de aproximadamente R$ 7,5 milhões, o investimento total para a aquisição do imóvel girou em torno de R$ 27,5 milhões. Essa compra foi a peça-chave que permitiu ao município buscar uma entidade especializada e de alta qualidade técnica para assumir a gestão por meio de concessão.

Hospital foi fechado em 2007

Várias administrações municipais passaram, mas nenhuma conseguiu tornar o hospital de Gaspar autossuficiente. O auge da crise ocorreu na primeira década deste século, quando, por decisão do Poder Judiciário, no processo nº 025.06.004119-0, a partir de ação ajuizada pelo Ministério Público, o Pronto Atendimento do hospital e, por consequência toda a estrutura da instituição, fechou suas portas em 19 de março de 2007.

O motivo foi o impasse da diretoria do hospital e os médicos plantonistas sobre o serviço de sobreaviso e a remuneração. O fechamento, que deveria ser temporário, acabou perdurando por quase três anos, a partir da necessidade de uma ampla reforma da estrutura da casa de saúde gasparense.

Com a suspensão do atendimento no hospital, os gasparenses em situação de emergência e urgência engrossaram a fila de hospitais em Blumenau, fato que, caso se repetisse nos dias atuais, inviabilizaria o serviço público regional de saúde - somente o PA atende em torno de 6 mil pessoas por mês.

Depois de um ciclo de remarcação de datas, a reabertura do hospital ocorreu 4 de janeiro de 2010. Os investimentos, na época anunciados foram da ordem de R$ 12 milhões financiados por empresários e governos municipal, estadual e federal.

O Hospital de Gaspar reabriu com cerca de 150 funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos administrativos, entre outros. A unidade faz cirurgias de baixa e média complexidade, e hoje conta com Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), implantada temporariamente durante a pandemia, mas que acabou efetivada em 2022. Júnior Gabriel Linhares foi o primeiro bebê gasparense a nascer após a reabertura do hospital.

Na época da reabertura, a Prefeitura repassava em torno de R$ 130mil ao hospital. Hoje, a conta passa de R$ 5 milhões, recurso que, segundo o prefeito Paulo Koerich, será mantido na fase incial de transição, sendo reavaliado gradativamente.

Intervenção impediu um novo fechamento do hospital

Mesmo com as novas instalações e ampliação de serviços, o hospital de Gaspar seguiu enfrentando sérias dificuldades financeiras, com  dívidas trabalhistas e com fornecedores. Por conta disso e para se evitar um novo fechamento da casa de saúde, em 27 de maio de 2014, o então prefeito, Pedro Celso Zuchi, assinou o decreto nº 5.955 de intervenção na instituição hospitalar, o que significou assumir todas as instalações da entidade, que compreendeu o prédio, instalações físicas, instalações do laboratório, equipamentos médicos/cirúrgicos e de exames, recursos humanos e demais equipamentos, objetos entre outros itens. 

De lá pra cá, foram mais de 11 anos de intervenção, num vai-e-vem de comissões e empresas gestoras, que não conseguiram tornar o hospital autossuficiente. Pelo contrário, a dívida só aumentou e hoje gira em torno de R$ 50 milhões (fontes extraoficiais).

O atual governo municipal, que assumiu em 2025, colocou a solução para o hospital como uma das prioridades. O prefeito Paulo Koerich chegou a afirmar que se tivesse de optar por uma única obra ou projeto para a cidade durante o seu mandato, escolheria a solução para o hospital de Gaspar. E a luz no fim do túnel começou a aparecer com o socorro do Governo do Estado, que praticamente bancou a compra do terreno e da estrutura física do hospital, que hoje é do município. Esse foi o primeiro grande passo, que trouxe fôlego novo e esperança na melhoria da saúde financeira e do atendimento no hospital de Gaspar. Daqui pra frente é aguardar e acompanhar o trabalho que começa efetivamente a ser feito pelos novos gestores.