Gaspar se despede da freira que dedicou mais de 50 anos à educação em Gaspar
Irmã Walfrida Spengler ajudou na formação educacional de dezenas de gerações em Gaspar
Gaspar se despede nesta terça-feira, dia 17, de Irmã Walfrida Spengler, freira da Ordem Franciscana da Imaculada Conceição. O corpo da religiosa está sendo velado na Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, em Gaspar. O sepultamento está marcado para o período da tarde, no Cemitério Municipal do Bairro Santa Terezinha, logo após missa de corpo presente na igreja, marcada para 14h30min, que será presidida pelo bispo dicesano Dom Rafael Biernaski. Walfrida faleceu, de causas naturais, no final da tarde desta segunda-feira, dia 16. Ela completaria 86 anos no próximo dia 29.
Gasparense, nascida no bairro Poço Grande, filha de Osvaldo Spengler e Teresa Spengler, Walfrida dedicou mais de 60 anos à vida religiosa, sendo mais de 50 à educação de jovens em nosso município como professora do Colégio Madre Francisca Lampel.
A família de Walfrida é de religiosos. Os bispos Dom Jaime Spengler e Dom Evaristo Spengler são seus primos, porém, nenhum dos seus onze irmãos optou pela vida religiosa, embora alguns tivessem até estudado em seminários. Ela perdeu o pai, muito cedo, aos oitos anos de idade, o que a obrigou, assim como a seus irmãos, a trabalhar na roça. A mãe casou novamente e teve quatro filhos.
O despertar para a vocação religiosa
Em 1953, Walfrida se preparava para iniciar seus estudos no Colégio Sagrada Família, em Blumenau, quando Irmã Miriam, que costumava bater de porta em porta para pedir doações em dinheiro visitou a casa da família Spengler, nos fundos do bairro Poço Grande – hoje bairro Macuco, em Gaspar. Dona Teresa comentou que a filha gostaria de ser freira. Irmã Miriam disse então que iria buscá-la para que ingressasse no Juvenato Coração de Jesus, em Gaspar. No dia 29 de março de 1953, uma carroça levou Walfrida do Poço Grande ao centro da cidade, junto com o sonho que estava se materializando.
A menina, que naquele exato dia completava 13 anos, iria estudar para ser freira. “Eu queria ser freira e enfermeira, igual a Irmã Frida, que atendia no Hospital Santa Isabel e visitava as pessoas doentes nas casas; eu achava que toda a freira virava santa e eu queria ser santa”, relembrou Walfrida na mesma entrevista ao JM.
Em 1956, ela mudou-se para São Paulo onde permaneceu por 17 anos. A religosa trabalhou por sete anos no Colégio Nossa Senhora de Lourdes em São Paulo e outros dois no Externato Santa Terezinha, em Araraquara, sempre voltado para a educação de jovens. Durante o período em que esteve em São Paulo, Walfrida concluiu o Magistério, retornando para Araraquara onde fez mais dois anos de noviciado até completar a quarta etapa, que é a 2ª Profissão, quando então fez os votos perpétuos no dia 2 de fevereiro de 1968, assumindo definitivamente a consagração religiosa na Congregação.
Em São Paulo, ela conheceu a Irmã Maria Regina Beltrame, que mais tarde viria a ser a diretora do Colégio Madre Francisca Lampel. Já nesta época, Walfrida dava aulas de Matemática e Desenho, como professora substituta.
O retorno à terra natal somente ocorreria em 1973. A freira e professora passou a dar aulas para crianças de até 6 anos de idade no Jardim de Infância São José, que mais tarde se tornaria o Colégio Madre Francisca Lampel.
Walfrida lecionou até 1997, intercalando períodos em que foi a diretora da instituição de ensino gasparense. Quando Irmã Regina assumiu, no final dos anos 1990, ela passou a ser vice-diretora. Nos últimos anos, dedicava-se a tarefas administrativas na secretaria da escola, além de ser a coordenadora da Casa das Irmãs.
No total, foram 53 anos dedicados à escola gasparense, servindo com dedicação, acolhimento e espírito fraterno na administração e no cotidiano da comunidade educativa, onde era carinhosamente chamada por muitos de seus alunos por Tia Walfrida.
"Irmã Walfrida deixa um grande testemunho de fidelidade, serviço e amor à missão franciscana", escreveu a Paróquia São Pedro Apóstolo.
