Motorista é denunciada por homicídio doloso em acidente com morte em Balneário Camboriú

A vítima, Aline Cristina Dalmolin, de 41 anos, era passageira do Porsche que capotou na Avenida Normando Tedesco, na Barra Sul, em Balneário Camboriú

Por Alexandre Melo

Aline morreu pouco depois de dar entrada no hospital Ruth Cardoso

A motorista do carro de luxo, responsável pelo acidente que matou a empreendedora e gestora de esportes Aline Cristina Dalmolin (foto acima), de 41 anos, na madrugada de 15 de dezembro do ano passado, em Balneário Camboriú, deve responder a processo por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. De acordo com a denúncia oferecida pela 2ª Promotoria de Justiça da comarca de Balneário Camboriú, Gisele Piccoli Forneroli, de 57 anos, conduzia o Porsche Macan sob forte influência de álcool, com índice de 0,97 miligrama por litro de ar alveolar, muito acima do limite legal. Mesmo nessa condição, a motorista, de 58 anos, trafegava em velocidade incompatível com a via urbana quando passou por uma faixa elevada (lombada), perdeu o controle da direção, capotou e colidiu contra postes e um muro, percorrendo cerca de 73 metros até a parada final.

Aline sofreu ferimentos gravíssimos e morreu em razão de politraumatismo. Os laudos periciais descartaram falha mecânica e apontaram que o acidente foi causado pelo desrespeito às normas de trânsito, associado à ingestão de bebida alcoólica. Após a colisão, conforme apurado no local do acidente, Gisele teria deixado o local para fugir da responsabilidade penal e civil, sendo localizada posteriormente escondida em uma área de mangue nas proximidades do Rio Camboriú.

Na denúncia, o Ministério Público atribui à motorista os crimes de embriaguez ao volante, homicídio doloso na forma de dolo eventual — quando se assume o risco de produzir o resultado — e fuga do local do acidente. O Ministério Público busca a responsabilização penal da condutora e reforça que situações de extrema imprudência no trânsito, sobretudo associadas ao consumo de álcool, não podem ser tratadas como meros infortúnios, mas como graves violações ao direito à vida.

“Ao dirigir embriagada e em velocidade incompatível com a via, a denunciada assumiu o risco de provocar um resultado fatal. Não se trata de um acidente, mas de uma escolha que colocou pessoas em perigo e ceifou a vida da vítima”, afirmou a Promotora de Justiça Roberta Trentini Machado Gonçalves, que assina a denúncia.

A Justiça já havia decidido que Gisele responderia ao processo em liberdade após pagar fiança de R$ 30 mil e cumprir medidas cautelares.

O MPSC pediu que o processo siga para julgamento pelo Tribunal do Júri e que seja fixado valor mínimo de indenização de R$ 100 mil à família da vítima. O advogado de defesa da ré não se pronunciou até o momento.

Há 18 anos, Aline Dalmolin era uma das gestoras de um complexo esportivo, CELD, com praças, quadras para atividades físicas, eventos e lazer, que atua há quase 20 anos em Balneário Camboriú.