Belchior: encanto e prosperidade

Jornal Metas preparou uma reportagem especial em vídeo sobre a região mais alemã de Gaspar

Por Kassiani Borges

O Distrito do Belchior é formado hoje pelo Belchior Baixo, Central, Alto e Arraial D’Ouro

No Distrito do Belchior, a fé e a união comunitária são as engrenagens invisíveis que movem os dias, transformando desafios em degraus e vizinhos em irmãos de jornada. Caminhar por estas terras é ouvir o eco de um passado que se recusa a silenciar. No sotaque de sua gente, reside a herança viva da colonização europeia; um legado tão profundo que, quase dois séculos depois, o idioma alemão ainda é ouvido em muitos lares, guardado pelo tempo. O Belchior, que um dia se dividiu em Baixo, Central e Alto, hoje se une sob a força de um só distrito. Mais do que uma demarcação geográfica nascida em 2016, a união com o Arraial do Ouro revela o sentimento de pertencimento. É uma terra de superação, onde a natureza exuberante abraça quem chega e acolhe, com o calor de um fogo de chão, aqueles que a escolheram para fincar raízes.

No Belchior, a tradição tem gosto e aroma. A cachaça, genuinamente brasileira, encontra por lá sua expressão mais nobre. Em alambiques centenários, o tempo destila não apenas a bebida, mas a memória e a identidade de gerações que transformaram a cana em cultura. Nas mesas, o perfume dos defumados conta a história de empreendedorismo. O que nasceu da necessidade de conservar a carne antes da eletricidade, tornou-se arte. Linguiças, salames e a icônica Linguiça Blumenau — joia do Vale Europeu — carregam o segredo de receitas passadas de geração para geração, como um testamento de sabor que atravessa fronteiras. Exemplo disso é Friwandal, que há 30 anos transforma o ofício artesanal em um legado de excelência que alimenta o estado.

Na propriedade de Bláusius Knoth, a vida pulsa em espelhos d’água onde a tilápia e o pacu são frutos de um manejo feito com amor, hoje conduzido pela força das filhas que honram a trajetória iniciada pelo pai.
No calor dos fornos da Cooperpão, o milagre da multiplicação é real. O que começou com 33 pães na cozinha de casa, evoluiu — mesmo após a tragédia climática de 2008 — para uma produção de 14 mil pães diários. É o pão de aipim, de milho e de batata que leva o “coração do Vale” para milhares de mesas catarinenses.

O Belchior é conhecido como o “Distrito das Águas”. Seus parques aquáticos são o refúgio de 300 mil visitantes por temporada, que buscam no frescor das cachoeiras e piscinas de águas cristalinas a renovação das energias. Mas a verdadeira riqueza do lugar vai além do turismo: está em personagens como o Kéu, que em seu rancho transforma encontros em amizades duradouras, e na representatividade de líderes como Carlos Schmidt, o Calinho, representante do Distrito do Belchior no legislativo gasparense.
Embora o desejo de independência e de pertencer a Blumenau tenha soprado forte no passado, hoje o Belchior se orgulha de sua identidade gasparense. É um lugar abençoado, onde cada tijolo foi assentado com esperança e cada história contada é um fio de ouro na tapeçaria da história do município. Um lugar onde a natureza descansa e o trabalho prospera, honrando o passado para iluminar o futuro.

Essa reportagem em vídeo sobre o Belchior, que o Jornal Metas preparou com carinho para você, nosso leitor, pode ser acessada abaixo. Vale a pena conferir!