Depois da justiça negar medicamento de alto custo, gasparense apela à comunidade
Kelly Brittes diz que não vai desistir de buscar o tratamento, pois quer ver seus filhos crescerem
Kelly Corlatti Brittes, 40 anos, a gasparense que vem emocionando as redes sociais em uma campanha humanitária para arrecadar dinheiro para comprar um medicamento de alto custo para tratar o câncer de colo de útero diz que não vai desistir. A quimioterapia inativa já não apresenta resultados satisfatórios, e a esperança está no Pembrolizumabe, um imunoterápico que pode estabilizar a doença. No entanto, cada dose custa R$ 44 mil, e o tratamento completo exige, no mínimo, 35 aplicações – um total de cerca de R$ 500 mil. O início da terapia deveria ter ocorrido em novembro do ano passado.
Porém, sem as garantias da medicina, no caso específico de Kelly, já que o seu câncer avançou para outras partes do corpo (metástase), a justiça negou, pela terceira vez, o pedido para que o SUS (Sistema Único de Saúde) fornecesse as doses. A sentença foi uma derrota mais dolorida que as dores que Kelly sente no corpo por conta do avanço da doença.
Isto porque, o juiz, em seu despacho, se baseou num ensaio clínico em que os pacientes que receberam o medicamento quimioterápico à base do Pembrolizumabe tiveram uma sobrevida de dois meses a mais em relação aos pacientes submetidos ao tratamento com substâncias inativas.
“A vantagem estimada é relativamente discreta frente ao seu custo”, afirmou o magistrado.
Kelly, evidente, discorda do juiz. Emocionada, ela diz acreditar num Deus que tudo pode e que tudo faz. “E Ele fará”, acrescenta. Ela diz que vai lutar pela vida, porque quer estar ao lado dos seus filhos e vê-los crescer. Kelly poderia recorrer da nova sentença judicial, porém, o prazo passou e a sua advogada não ingressou com o pedido, assim ela terá que aguardar um tempo e começar a ação praticamente do “zero”, e tempo é o que não existe na vida de Kelly. Ela então se voltou para a comunidade a fim de arrecadar os R$ 500 mil necessários para custear o medicamento pelo sistema de saúde privado, porém, até o momento pouco mais de R$ 20 mil entraram na conta/pix aberta em seu nome (47-997386502).
No dia 20 de setembro, vai acontecer uma pastelada com a finalidade de arrecadar recursos, no Jaguar Cross, na entrada do Bairro Gasparinho. Cada pastel será vendido a R$ 7,00.
“É uma luta pela minha vida, e eu conto com cada ajuda para conseguir esse tratamento”, afirma Kelly.
O câncer foi descoberto em 2023. Mesmo depois de tratamentos agressivos, incluindo quimioterapia, radioterapia e braquiterapia, a doença se agravou e se espalhou para outras partes do corpo, atingindo a uretra, canal da uretra, a perna e o pescoço, indicando que o corpo de Kelly não estava mais respondendo aos tratamentos convencionais. Diante desse cenário, a equipe médica indicou a imunoterapia com o Pembrolizumabe como única alternativa para tentar estabilizar a doença.
Luta
Casada há oito anos com Claudir Cardoso, de 51 anos, Kelly conta com o apoio incondicional do marido, que precisou abandonar o trabalho de zelador na Escola Olimpio Moretto, no bairro Gaspar Grande, para cuidar da esposa e dos filhos. Apesar da força que busca demonstrar no dia a dia, Claudir também sente o peso da situação. “Em alguns momentos eu o vejo distante, visivelmente abalado com tudo o que estou passando. Já chegou a me dizer que gostaria que a doença fosse nele e não em mim”, relatou Kelly em entrevista ao Jornal Metas em março deste ano.
Kelly e o marido dividem a rotina com quatro de seus cinco filhos: Anne Karolinne, de 2 anos, Henry, de 3, Ana Clara, de 5, e Maylon, de 17 anos. Sua filha mais velha, Nicolly, de 24 anos, mora em São João Batista, no Vale do Tijucas. A situação afeta diretamente as crianças, que, mesmo pequenas, percebem a gravidade da doença. “Todos eles vivem apreensivos e com medo, pois essa é uma doença instável. Nos momentos de crise, a Ana Clara se junta comigo e, enquanto chora, pede para Jesus me curar. O Henry me dá bastante força, fala que vai lutar comigo e ser minha força. Tão pequenos e ingênuos, sem saber a gravidade da doença, mas é de Deus e através deles que tiro forças para lutar diariamente”, desabafa.