Binho: paixão por futebol e Seleção Brasileira
Gasparense embarca para a sua quarta Copa do Mundo consecutiva
A paixão pelo futebol e pela Seleção Brasileira é capaz de mover fronteiras e transformar sonhos de infância em realidade. Para o morador de Gaspar, Rubens Benevenuti, o “Binho”, essa máxima se traduz em passaportes carimbados e uma coleção de memórias em Copas do Mundo.
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Ele embarca essa semana para os Estados Unidos, onde acompanhará ao vivo o seu quarto mundial consecutivo, e não esconde a ansiedade de um "marinheiro de primeira viagem". A cada jogo da Seleção Brasileira, parece ser o primeiro na vida desse gasparense apaixonado por futebol e pela Seleção Brasileira. E não foram poucas as vezes em que ele se emocionou diante de um estádio de futebol lotado e “pintado” nas cores verde-amarela.
E tudo começou em 1982, quando pela TV, Binho viu aquela que, para muitos, foi uma das melhores seleções brasileiras de todos os tempos ser eliminada diante da Itália, na Copa da Espanha. A “Tragédia de Sarriá”, como ficou conhecido o jogo, marcou a vida de Binho e acendeu o desejo de assistir ao vivo uma Copa do Mundo. Ele jurou a si mesmo que, assim que tivesse condições financeiras e organizacionais, assistiria aos jogos diretamente das arquibancadas. A promessa começou a ser cumprida em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo. Binho realizou uma verdadeira maratona pelos estádios do país, assistindo a 13 jogos, entre eles a semifinal contra a Alemanha. A derrota (7 x 1) não abalou o coração apaixonado desse gasparense de 53 anos pela “Seleção Canarinha”. Depois vieram as experiências na Rússia (2018) e no Catar (2022).
Ambiente diferente
Torcedor do Botafogo, time a qual também acompanha no Brasil e no exterior, Binho admite que nada se compara a uma Copa do Mundo. “O ambiente é totalmente diferente, você conhece várias culturas, interage com pessoas das mais diferentes raças e troca lembranças com essas pessoas, eu tenho aqui presentes que eu ganhei na Rússia e no Catar”, revela. Entre as recordações mais marcantes de Copas anteriores, ele destaca a emoção da abertura em São Paulo, em 2014, e um episódio singular na Rússia, em 2018, quando conseguiu se hospedar no mesmo hotel da delegação brasileira após a comissão técnica estender a permanência no local. Na oportunidade, Binho garantiu autógrafos de atletas como Neymar, Casemiro e Renato Augusto em uma camisa que guarda como relíquia.
Binho desembarca nos Estados Unidos nesta terça-feira, dia 23. Já no dia seguinte, ao lado da esposa Cássia vai estar na arquibancada do Hard Rock Stadium, em Miami, onde a Seleção Brasileira vai realizar o seu terceiro jogo na primeira fase da Copa do Mundo, contra a Escócia, e deve carimbar o passaporte à próxima fase da competição. O roteiro planejado inclui ainda o chaveamento projetado para o Brasil nas fases de mata-mata (32 avos, oitavas, quartas e semifinais), passando por cidades como Dallas, Filadélfia, Nova Jersey e Miami até a final. Se tudo der certo, Binho vai assistir seis jogos do Brasil e dois de seleções de outros países.
Assistir a uma Copa exige planejamento
Ao contrário do que muitos imaginam, assistir a uma Copa do Mundo não ocorre por acaso. Binho conta que o projeto exige disciplina, planejamento de longo prazo e abrir mão de algumas coisas. Porém, o fundamental é o apoio que recebe a esposa e parceira de viagens, Cássia. “É uma questão de organização e abrir mão de algumas coisas para poder realizar o que queremos.
Quando termina uma Copa, já iniciamos a programação de custos para a próxima, fazendo reservas mensais e comprando a moeda local de forma gradual”, explica o torcedor. Para a edição deste ano, o desafio logístico é ainda maior devido às grandes distâncias e à alta demanda de público. Contudo, a preparação antecipada garantiu ao casal os bilhetes e os roteiros necessários para acompanhar o torneio.
Os “Infaltáveis”
Uma das estratégias de Binho para viabilizar a ida às Copas do Mundo foi participar de um grupo chamado os “Infaltáveis”, assíduos espectadores de jogos da Seleção Brasileira em amistosos e eliminatórias. Através da organização e do reconhecimento institucional junto à CBF, o grupo obteve cotas de ingressos nominais a preços populares (cerca de 60 dólares), contrastando com os altos valores do mercado de revenda legal, que flutuam hoje entre 1.500 e 2.000 dólares para a primeira fase.
Acervo valioso e sonho do hexa
Além das viagens, Binho transformou sua paixão pela Seleção Brasileria em um acervo histórico dentro de casa. Ele coleciona álbuns de figurinhas completos desde 1990 — destacando as edições dos títulos de 1994 e 2002 —, réplicas da Taça do Mundo, livros sobre a história do futebol e itens raros, como reproduções de ingressos antigos e regulamentos da FIFA, como o da Copa de 1950.
O plano para o futuro é estruturar esse material em um espaço visitável para compartilhar a coleção com amigos e entusiastas do esporte. Mesmo ciente das oscilações técnicas da atual Seleção, Binho mantém o otimismo característico do torcedor brasileiro e acredita no hexacampeonato e encerra com uma mensagem de incentivo a todas as pessoas que almejam grandes realizações.