Muito estudo para uma vaga na universidade
O sonho de ser médica faz Vanessa Brandt, de 17 anos, dedicar seus dias aos estudos para o vestibular. ´
Ela se formou no ensino médio no ano passado, porém não conseguiu passar no concorrido vestibular do curso. Neste ano, passa as manhãs no cursinho, tira dúvidas com professores e estuda por conta própria na parte da tarde em casa ou na Biblioteca Pública Dom Daniel Hostin. “Quando eu era menor, queria estudar odontologia, mas de alguns anos para cá, fiquei fascinada com a medicina. Sempre quis trabalhar com crianças, então eu penso em me formar em medicina e me especializar em pediatria”, conta Vanessa.
Há quase dois meses, ela intercala os estudos do cursinho com a leitura dos livros obrigatórios para fazer a prova de literatura. Vanessa pretende prestar o vestibular de inverno da Acafe, que acontece no dia 16 de junho, o de verão do mesmo sistema e ainda os vestibulares da Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal do Paraná e, talvez, Pontifícia Universidade Católica do Paraná. São vestibulares bastante concorridos, por isso, desde o ensino médio ela está focada em ser aprovada em alguma destas universidades.
Assim como os estudos não são deixados para a véspera das provas, as leituras também são feitas com antecedência. Da lista dos principais vestibulares catarinenses (vide box), ela já leu praticamente todos, faltam apenas dois para acabar com toda a leitura obrigatória. Deles, seu preferido é “Amar, verbo intransitivo”, de Mário de Andrade, que ela já havia lido, pois estava entre as leituras obrigatórias do vestibular do ano passado. “O curioso é que o próprio título do livro não está de acordo com a regra, já que amar não é verbo intransitivo. Conta a história de uma família patriarcal, em que o pai contrata uma professora para dar aula de alemão aos filhos. É a partir daí que a história acontece”, relata a estudante, que não conta o final para não estragar a surpresa dos outros estudantes que também precisarão ler.
Vanessa vai muito as livrarias, já que há uma bem próximo ao cursinho, além de frequentar a biblioteca pública de Gaspar. Ela não lê apenas os livros do vestibular, mas também compra outros para os momentos de descanso. Entre seus gêneros literários preferidos estão romance e autoajuda. A coordenadora do ProLer em Gaspar e administradora da Biblioteca Pública Dom Daniel Hostin, Lúcia Kisnter, vê com bons olhos este contato que os alunos vestibulandos têm com a literatura brasileira antes da prova. “São livros clássicos, de grandes autores brasileiros. No caso do vestibular da UFSC, há sempre um autor catarinense também. Nestes livros, os alunos conseguem encontrar literatura de qualidade e um texto melhor do que geralmente é utilizado em best sellers”, defende. Na biblioteca pública há exemplares de todos os livros solicitados pelos maiores vestibulares catarinenses e qualquer pessoa que tiver ou fizer uma ficha no local pode fazer o empréstimo.
Lúcia conta que os livros das listas são procurados durante todo o ano, embora a demanda aumente um pouco próximo as datas das provas. A busca começa cedo, porque no último ano do ensino médio há muito conteúdo a ser estudado e são vários volumes que precisam ser lidos. “Os estudantes precisam fazer uma leitura diferenciada, com outro olhar. Não apenas ler, mas fazer um fichamento do livro, fazer anotações e ainda compreender todo o contexto social e histórico em que a trama acontece”, explica Lúcia.
Lúcia dá uma dica para vestibulandos que querem se aprofundar e estudar melhor tudo o que diz respeito a história: criar grupos de estudo. O espaço da biblioteca e todos sua estrutura está a disposição de grupos de estudo.