TJSC mantém recuperação judicial da Teka e afasta falência
Decisão unânime garante a continuidade da operação da centenária empresa Têxtil, em Blumenau
Por unanimidade, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) manteve a recuperação judicial da centenária Teka Têxtil, com sede em Blumenau. Dessa forma, a falência da companhia está afastada e mantidas as operações que geram, segundo a empresa, 1.781 empregos diretos. A Teka segue agora com o plano de reestruturação e projeta faturamento superior a 500 milhões de reais em 2026. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, dia 10, o CEO da Teka, Rogério Marques, vai detalhar os impactos da decisão do TJSC para a companhia e stakeholders, bem como os planos futuros.
A 2ª Câmara de Direito Comercial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) desempenhou um papel central no processo da Teka Têxtil ao suspender e reverter a decisão de falência da empresa. O Tribunal acatou os recursos para garantir a continuidade da recuperação judicial, visando a preservação das atividades operacionais e a viabilidade econômica do negócio.
Recuperação judicial iniciou há mais de uma década
O grupo Teka (composto por Teka Têxtil, Cerro Azul, Teka Investimentos e FB Indústria) entrou com o pedido original de recuperação em outubro de 2012 na comarca de Blumenau. De lá prá cá, a companhia passou por um longo processo jurídico. De um lado, a administração judicial da empresa que dizia não haver condições de recuperação e a falência deveria ser decretada. Do outro, o fundo de investimento Alumni FIP, que se tornou um dos principais acionistas, sustentando que o passivo tributário poderia ser reduzido com medidas drásticas.
Em fevereiro de 2025, porém, a administração judicial conseguiu que a justiça decretasse a falência da companhia. Um mês depois, em março de 2025, o TJSC suspendeu a decisão da Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais. A medida atendeu a um pedido de tutela de urgência do fundo controlador e permitiu que a companhia retomasse o plano de operações.
Paralelamente, no âmbito da Justiça do Trabalho, foi homologado um acordo de R$ 51 milhões que beneficiou cerca de 1,3 mil ex-funcionários da unidade de Blumenau.
A história
A trajetória da Teka começou em maio de 1926, na cidade de Blumenau (SC). O imigrante alemão Paul Fritz Kuehnrich montou uma pequena oficina manual anexa à sua própria residência, contando apenas com uma máquina de matelar, duas de costura reta e uma mesa para preparar edredons.
Em 1935, o negócio expandiu e virou uma sociedade anônima sob o nome de Companhia Kuehnrich S.A.. Em 1941, mudou para Tecelagem Kuehnrich S.A. O nome "Teka" surgiu de forma espontânea a partir da sonoridade das iniciais do logotipo TK (Tecelagem Kuehnrich), tornando-se uma marca curta e de fácil memorização.
Entre as décadas de 1970 e 1990, a Teka viveu o seu período de maior faturamento e relevância de mercado. Expandiu suas operações e abriu filiais em Blumenau (SC), Indaial (SC) e Artur Nogueira (SP). Iniciou sua atuação internacional ainda nos anos 1960, chegando a fechar grandes contratos de distribuição na África do Sul e em outros continentes.
A empresa se consolidou como a principal referência e líder no fornecimento de enxovais de alta resistência para o setor de hotelaria e hospedagem.
A partir dos anos 2000, o cenário mudou drasticamente com a abertura de mercado e a forte concorrência dos produtos têxteis asiáticos (principalmente chineses), que chegavam ao Brasil com preços muito mais baixos.
Em decorrência do aperto nas margens de lucro e problemas estruturais, as dívidas da companhia dispararam. Sem conseguir honrar seus compromissos financeiros, a Teka entrou com pedido de recuperação judicial em 2012, registrando um passivo inicial de aproximadamente R$ 780 milhões.