Petrobras reduz diesel e querosene de aviação em meio a medidas do governo
Estatal anuncia queda no preço do QAV e novo desconto no diesel, com apoio do governo para conter impactos sobre a economia e o consumidor
A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º), a redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV). Nesta segunda-feira, tambem passou a valer o desconto no preço do litro do óleo diesel "A" nas refinarias: R$ 0,3515 por litro. Com a mudança, o preço médio da estatal cai de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro.
Segundo a companhia, o desconto no diesel faz parte de subvenção econômica autorizada pelo governo federal e tem como objetivo neutralizar, para o consumidor final, a reoneração de PIS/Cofins que também passa a valer em 1º de junho. A Medida Provisória nº 1.363/2026 autorizou subvenção aos produtores e importadores de diesel rodoviário.
O diesel é um preço estratégico para a economia brasileira. Ele afeta transporte de cargas, frete, alimentos, indústria, ônibus, maquinário agrícola e parte relevante da cadeia logística. Quando sobe, a pressão costuma chegar rapidamente ao consumidor.
A decisão tem leitura econômica e política. O governo tenta evitar que a reoneração tributária apareça diretamente na bomba, enquanto a Petrobras busca compatibilizar política de preços, subvenção pública e comunicação ao mercado.
A crítica é que subsídio pode aliviar o curto prazo, mas não resolve dependência estrutural do país em relação ao transporte rodoviário. Enquanto o Brasil depender excessivamente de caminhões, cada oscilação do diesel seguirá produzindo disputa fiscal, pressão inflacionária e ruído político.
Combustível para aviação
Já o preço do Querosene para aviação é estipulado pela Petrobras mensalmente, sempre no dia 1º. A queda anunciada nesta segunda-feira é a primeira depois de três aumentos seguidos. Em abril, por exemplo, o reajuste foi de 55%.
O QAV é o combustível derivado do petróleo que abastece aviões e helicópteros. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível representa 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Desde janeiro deste ano, o QAV já subiu 54,5%, o que representa R$ 1,98 por litro. Os aumentos de abril e maio foram justificados como efeito do conflito no Oriente Médio, que resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e de Omã, por onde passavam, antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de óleo e gás.
Sobre a redução de junho, a Petrobras explicou que a alteração de preços ao longo “reflete a atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais”.
A Petrobras esclarece ainda que a política de preços da empresa segue uma “fórmula paramétrica contratual que funciona como amortecedor de curto prazo, resultando em reajustes mais moderados que os observados no mercado internacional”.
De acordo com a companhia, no mercado internacional os reajustes podem ocorrer até diariamente e, no acumulado do ano, são superiores aos do registrado no Brasil, “indicando que o preço do QAV da Petrobras permanece competitivo”.
Parcelamento mantido
A Petrobras informou ainda que mesmo com a redução de preços, a companhia manterá a possibilidade de os compradores parcelarem a compra do QAV em seis parcelas mensais. A opção de parcelar o custo foi anunciada juntamente com o reajuste de abril.
“Essa medida contribui para diluir o impacto financeiro ao longo do tempo, favorecendo a adaptação gradual às novas condições de mercado”, explica a empresa.
A estatal afirma que os volumes de QAV solicitados pelas distribuidoras para o mês de junho estão confirmados, sem risco de desabastecimento.
Ajuda do governo
Assim como o óleo diesel, a gasolina e o gás de cozinha, o QAV faz parte de um pacote de medidas do governo para frear o ímpeto do aumento de preço de derivados do petróleo.
No último sábado (30), o governo anunciou a prorrogação, por mais dois meses, da desoneração do PIS/Cofins, dois tributos federais incidentes sobre o QAV. O alívio tributário foi criado em abril e vale agora até 31 de julho.
Além disso, companhias aéreas receberam carência para pagamento de tarifas de navegação aérea - devida à Força Aérea Brasileira. Os valores de julho, agosto e setembro só precisarão ser quitados em dezembro.
Cadeia de comércio
A Petrobras comercializa para as distribuidoras o QAV produzido nas refinarias da empresa ou importado. Uma vez comprado pelas distribuidoras, as empresas transportam o combustível e vendem para companhias de transporte e outros consumidores finais nos aeroportos ou ainda para revendedores.
A estatal tem participação de cerca de 85% da produção do QAV, mas o mercado é aberto à livre concorrência, sem restrições para outras empresas atuarem como produtoras ou importadoras.