Pérolas do futebol
Tem coisa mais entediante que entrevista de jogador de futebol? São sempre as mesmas respostas, para as mesmas perguntas dos repórteres. Antes do jogo: Como vai ser o jogo? Resposta: "O adversário tem um grande time". Será? Nunca o adversário é ruim, mesmo sendo o Cacembinhas do Norte, que joga a terceirona do campeonato amazonense. E não dá mesmo pra menosprezar o adversário antes da bola rolar, porque já aconteceram coisas neste futebol brasileiro.
Já no intervalo, a desculpa já vem pronta: "tá difícil, o time deles tá fechado e marcando". E tem algum time que não marca? Se não marca vira saco de pancadas! Terminado o jogo, a explicação é a mesma tanto para a vitória quanto para a derrota: "A gente jogou pra frente, mas sabiamos que seria um jogo difícil". Pô, se já sabiam que seria difícil, então por que não trabalharam para torná-lo mais fácil?
E tem ainda as "pérolas" do futebol ditas por quem tá acostumado com os microfones. Nesta semana, Ronaldinho Gaúcho se despediu do time e da torcida do Atlético-MG. Lá pelas tantas, soltou essa: "Queria agradecer aos meus companheiros de time que correram por mim". Tá certo, Ronaldinho, você tem mais que agradecer, agora não precisa escancarar a sua visível indolência tática. Já o Rei do Futebol e Atleta do Século, Pelé, só dá opinião furada. Na Copa de 1994, apostou na Colômbia como favorita, porém a seleção não passou da primeira fase. Em 1998, disse que a Nigéria era favorita, mas até hoje nenhuma seleção africana passou das quartas de final. Como disse Romário certa vez, "o Pelé de boca fechada é um poeta". A última grande entrevista do rei foi quando ele marcou o milésimo gol, em 1969, e pediu ao governo que cuidasse das criancinhas. De lá prá cá, não disse mais nada que pudesse ser aproveitado, tanto que até a Rede Globo tirou o microfone do rei.
No final da década de 1960 e início dos anos 1970, o Inter-RS teve o seu melhor centroavante de toda a sua história de mais de 100 anos, Claudiomiro, que hoje é porteiro do Estádio Beiro-Rio. O centroavante do colorado ficou famoso por algumas das mais engraçadas respostas nos microfones das rádios do Rio Grande do Sul. Um personagem do folclore do futebol gaúcho. Certa feita, o Inter foi jogar em Belém do Pará, contra o Paysandu. Entrevistado, Claudiomiro mostrou todo o seu conhecimento da história religiosa: "Estou muito feliz por estar na terra onde nasceu Jesus Cristo". Pôxa, não é só Deus que é brasileiro, o filho dele também é!
Depois de grande atuação num Gre-Nal, Claudiomiro foi escolhido o melhor jogador em campo. Naquela época, o prêmio era um rádio a pilha. O repórter foi entrevistá-lo. "Parabéns, Claudiomiro, você foi o melhor em campo. O microfone é seu para as considerações". E a resposta: "Obrigado, eu já ganhei muito rádio a pilha, mas microfone é a primeira vez". Uma cervejaria famosa também resolveu premiar o melhor em campo, e mais uma vez Claudiomiro foi premiado com uma caixa de cerveja da marca Antarctica. No microfone da rádio, ele agradeceu o prêmio ao patrocionador: "Gostaria de agradecer a Antarctica pela caixa de Brahma". É que há muitos anos atrás, cerveja no Rio Grande do Sul era sinônimo da gaúcha Brahma. As pessoas diziam. "Tchê, vamos lá no bar beber umas Brahmas!
Outra do folclore do centroavante colorado aconteceu em um jogo contra o Santos pelo Campeonato Brasileiro de 1972. Ao ver o zagueiro, Marinho Santos - esse era o seu sobrenome - assinar a súmula do jogo, o centroavante colorado não deixou por menos: "Claudiomiro do Inter". Na quarta-feira tem mais Pérolas do Futebol - Parte II.