Relações estremecidas, dinheiro da publicidade, segurança nas escolas e moradora indignada são destaques da Coluna Pimenta.

Por Greyce Sansão

Colunista

Relação estremecida

Uma reclamação recorrente entre vereadores, durante sessões e reuniões de comissões da Câmara de Gaspar, é a falta de diálogo, respeito e transparência por parte de alguns secretários municipais no relacionamento com o Legislativo. A insatisfação já não parece ser pontual. Fica a pergunta: não estaria na hora de o Executivo rever algumas peças do seu primeiro escalão? Até porque, embora ainda falte tempo, o tabuleiro eleitoral de 2028 já começou a ser movimentado.

Cadê o dinheiro da publicidade?

A vereadora Alyne Serafim (PL) procurou o jornal para questionar quanto a Câmara de Vereadores de Gaspar gastou com publicidade em 2026. A parlamentar afirma que aguarda há dois meses esclarecimentos sobre os valores aplicados na área. Segundo ela, aproximadamente R$ 200 mil teriam sido destinados anualmente à publicidade. Alyne questiona a aplicação dos recursos e afirma não ter identificado campanhas e ações de divulgação compatíveis com o montante. A vereadora informou que pretende compartilhar com a imprensa local os dados assim que receber as informações solicitadas. A pergunta que fica é: afinal, como e onde esse dinheiro foi gasto?

Segurança nas escolas

Durante audiência pública sobre a segurança nas escolas, na quinta-feiora, dia 29, o vereador Alex Burnier (PRD) defendeu a adoção de um sistema de controle de acesso com dois portões: o primeiro com identificação por tag dos pais e o segundo com reconhecimento facial. O vereador também chamou a atenção para a responsabilidade dos responsáveis no uso adequado dos portões. Já o vereador Carlos Eduardo Schmidt (PL), por sua vez, sugeriu a criação de uma comissão ampla para reunir as demandas da comunidade e, posteriormente, encaminhá-las ao Executivo Municipal, enquanto José Hilário Melato (PP) defendeu a elaboração de um plano de ação com procedimentos preventivos e orientações para situações adversas ou imprevistas. Para ele, o governo municipal deve padronizar os protocolos e estabelecer etapas de atuação para todas as unidades de ensino.

Segurança nas escolas 2

O vereador Dionísio Bertoldi (PT) lembrou que, há dez anos, teve um projeto de sua autoria que previa a instalação de câmeras nas escolas. Segundo ele, a proposta foi aprovada por unanimidade, mas acabou vetada pelo então prefeito Kleber Wan-Dall e, posteriormente, teve o veto mantido pelos demais vereadores. Para Bertoldi, a construção de soluções depende da participação conjunta da comunidade escolar e dos poderes públicos. “Se não colocar pais, professores, servidores públicos, Executivo e Legislativo juntos, não conseguiremos resolver esse problema e combater os mal-intencionados”, afirmou. Já a vereadora Alyne Karla Serafim (PL), que também é policial, informou que a Delegacia de Polícia de Gaspar continua investigando o caso do e-mail ameaçador, mas que não pode divulgar informações em razão da investigação em andamento.

Segurança nas escolas 3

O major Eduardo João Steil, comandante da 2ª Companhia do 18º Batalhão da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) em Gaspar, também presente à audiência pública, comentou sobre a presença de profissionais armados em instituições de ensino de alguns municípios catarinenses. Na avaliação do policial, o porte de arma de fogo não representa, isoladamente, uma garantia de proteção. “O fato de estar armado não irá proteger o filho de vocês. Talvez o uso de um bastão, de uma arma de choque seja mais eficaz”, ponderou. O major também observou que, em geral, os autores desse tipo de delito buscam notoriedade. Segundo ele, a presença de seguranças armados pode trazer outros riscos, inclusive pela possibilidade de assaltos direcionados a esses profissionais para o roubo de armas.

Moradora indignada

Bastou uma hora de chuva e os vídeos de alagamentos em diversas ruas de Gaspar começaram a pipocar nas redes sociais. Uma moradora da Rua Frei Solano diz ter protocolo de mais de cinco meses pedindo a limpeza das bocas de lobo da via, que, segundo ela, estão todas entupiadas. Segundo ela, apareceram diversas autoridades de Prefeitura e Câmara de Vereadores, mas nenhuma providência foi tomada. Nesta quarta-feira, a rua estava inundada, inclusive, próximo ao posto de saúde. “Cinco meses e meio para uma limpeza de boca de lobo”, desabafou. Ela disse que manda os pedidos para a Secretaria de Obras e só recebe protocolos. “Daqui a pouco a água começa a entrar dentro de casa e a gente perde tudo, de novo. O que adiantou fazer uma drenagem, que nos ajudou muito, no tempo do Wan-Dall, se eles não fazem manutenção, é dinheiro jogado fora”, desabafou. Teve vereador, assustado, que ao ver o vídeo, correu para internet para se defender.