O carro que gera mais energia do que consome: o futuro chegou antes do que esperávamos

Por Greyce Sansão

mercado e negócios

E se o seu carro, em vez de consumir energia, pudesse produzi-la? Parece ficção científica, mas um grupo de 16 estudantes de pós-graduação da Universidade Clemson, nos Estados Unidos, acaba de transformar essa ideia em realidade.
Batizado de Luminetta e desenvolvido ao longo de dois anos em parceria com a divisão de pesquisa da BMW, o protótipo Deep Orange 17 é um cupê elétrico movido a energia solar capaz de gerar mais eletricidade do que consome em trajetos urbanos diários. O segredo está na carroceria: mais de 1.700 células fotovoltaicas integradas ao teto, ao capô e às laterais captam luz solar continuamente — tanto durante o deslocamento quanto enquanto o veículo permanece estacionado.
Em testes simulados em cidades como Madrid e Frankfurt, o Luminetta percorreu trajetos de 20 km por dia e ainda gerou um excedente médio de 50 km de autonomia extra — sem nenhum custo de recarga. E há mais: o superávit de energia pode ser repassado à rede elétrica ou abastecer residências e equipamentos por meio de tecnologia de carregamento bidirecional. O carro deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a ser uma pequena usina de energia.
Para o brasileiro, a reflexão vai além da curiosidade tecnológica. Em um país com energia elétrica cara, combustível volátil e transporte público insuficiente, inovações como essa apontam para um futuro em que o custo de mobilidade pode cair drasticamente — e a dependência de combustíveis fósseis, também. A pergunta que fica é: quando essa tecnologia chegará às ruas do Brasil — e a que preço?
O Luminetta será exibido no CES 2027, em Las Vegas. Enquanto isso, os 16 estudantes que o criaram colaram grau com mestrado em engenharia automotiva. Uma geração que, literalmente, construiu o futuro nas próprias mãos.