A conta de Trump chegou — e o brasileiro vai sentir no bolso

Por Greyce Sansão

mercado e negócios

Na madrugada desta quarta-feira, 22 de julho, enquanto a maioria dos brasileiros dormia, uma nova tarifa de 25% sobre produtos exportados ao mercado americano entrou silenciosamente em vigor. Não foi um anúncio festejado. Foi uma penalidade.
A medida, imposta pelo governo Trump, atinge vestuário, calçados, aço, alumínio, autopeças, máquinas e equipamentos brasileiros. Ficaram de fora café, carne bovina, petróleo e aviões — produtos que os próprios americanos precisam importar do Brasil para manter preços internos sob controle. Mas os setores industriais, que empregam centenas de milhares de trabalhadores, estão na linha de frente do impacto.
Há um detalhe que poucos sabem: os EUA têm superávit comercial com o Brasil há 16 anos consecutivos. Ou seja, vendem mais para nós do que compram. A tarifa não corrige nenhum desequilíbrio real — ela é, na prática, um instrumento de pressão política.
O impacto chega ao trabalhador comum de forma indireta, mas real: quando exportadores perdem mercado, reduzem produção e cortam vagas. Quando o câmbio oscila, importações ficam mais caras e a inflação pressiona o orçamento familiar. É uma cadeia que começa em Washington e termina no caixa do supermercado.
O governo brasileiro optou por cautela, sem retaliação imediata, levando o caso à Organização Mundial do Comércio. A estratégia tem lógica: responder na mesma moeda poderia encarecer produtos americanos que o Brasil ainda precisa importar.
O que fica de reflexão é simples: em um mundo cada vez mais instável, depender de um único mercado é risco. O Brasil precisa diversificar seus parceiros comerciais — e o cidadão precisa entender que política externa não é assunto distante. Ela chega à porta de casa.