R$ 10 trilhões: uma dívida que você nunca fez mas vai pagar
Imagine chegar em casa e encontrar uma fatura milionária no seu nome — de uma compra que você nunca fez. É exatamente assim que funciona a dívida pública: ela cresce nas mãos do governo, mas quem sente o peso no bolso é o cidadão comum.
A dívida pública federal ultrapassou R$ 10 trilhões em 2026 — alta de 18% sobre o ano anterior — representando 79% de tudo que o Brasil produz em um ano inteiro. Para tornar esse número mais concreto: se dividíssemos essa dívida igualmente entre todos os brasileiros, cada pessoa — incluindo recém-nascidos — deve cerca de R$ 47 mil.
O problema maior não é o tamanho da dívida — é para onde vai o dinheiro. Em países saudáveis, o governo se endivida para construir estradas, hospitais e escolas. No Brasil, grande parte do endividamento serve apenas para pagar os juros da própria dívida. Só em 2026, mais de R$ 1 trilhão será gasto somente com juros, sem reduzir um centavo do saldo devedor. O FMI alerta que, nesse ritmo, a dívida pode chegar a 100% do PIB em 2027.
E quem paga essa conta? Todos nós — de formas que nem sempre percebemos. Com a Selic em 14,5% ao ano, o crédito encarece para todo brasileiro: o financiamento da casa própria fica mais longo e caro, o empréstimo pessoal cobra juros maiores, o cartão de crédito aperta ainda mais. É o governo competindo com o cidadão pelo dinheiro disponível na economia — e sempre levando vantagem nessa disputa.
Além disso, cada real gasto com juros é um real a menos para saúde, educação e infraestrutura. A dívida pública não é um problema distante dos economistas — ela está na fila do banco, na prestação do carro e no preço do aluguel.
Entender isso é o primeiro passo para cobrar mais dos gestores públicos. Dívida não é abstração contábil — é a soma das escolhas de quem administra o nosso dinheiro. E a conta, como sempre, chega para quem trabalha.