Uma viagem dentro do nosso corpo
Projeto pedagógico foi desenvolvido na Escola Aninha Pamplona
Aender pode e deve ser uma atividade divertida. Há teorias que dizem até que o aprendizado vivido com prazer é muito maior do que o que vem pela simples obrigação. Nas escolas, professores buscam novas ferramentas para despertar o interesse dos alunos pelos conteúdos desenvolvidos, e, em muitos casos, colhem-se bons resultados.
Na Escola de Educação Básica Aninha Pamplona Rosa, no Gaspar Mirim, a professora Jussara Cristina Wandalen Schmitz aplicou na turma do segundo ano, um projeto neste foco no primeiro semestre deste ano. Com o nome de “Uma viagem dentro do nosso corpo”, o projeto de letramento da professora Jussara consistia em estimular a aprendizagem por meio de atividades lúdicas.
O tema - corpo humano - foi escolhido com a ajuda dos próprios alunos. “Quando eu propus a eles que faríamos esse trabalho e perguntei sobre qual tema eles gostariam de estudar, um aluno disse que gostaria de aprender mais sobre ciências”, conta Jussara. O aluno chama-se Daniel Renan Meira, de oito anos. Ele diz que tem muita curiosidade em aprender sobre como funcionam as coisas. A partir dali surgiu a ideia de estudar o corpo humano.
Escolhido o tema, era hora de começar as aulas. Jussara usou vários recursos para trabalhar a alfabetização e ainda ensinar aos alunos sobre o funcionamento do corpo humano. As crianças, com idades entre sete e oito anos, começaram fazendo atividades sobre eles próprios e suas famílias. “Todas as atividades foram ferramentas utilizadas para estimular as crianças a usar a escrita e a leitura no seu dia-a-dia”, explica a professora.
Bonecos
Uma das tarefas que desenvolveu bastante a escrita contextualizada dos alunos foi a da criação dos bonecos Humaninho e Humaninha, confeccionados pela própria turma, formada de 16 alunos. Tanto o boneco menino, quanto a menina, tinham desenhados em si os órgãos internos do corpo humano, já para estimular a aprendizagem.
Cada dia um aluno diferente levava o boneco para casa e fazia um diário de bordo, onde escrevia sobre o dia que passaram com eles. “Assim também ficamos conhecendo melhor a realidade deles, pois eles escreviam sobre seu dia-a-dia”, relata Jussara. No convívio com o Humaninho e a Humaninha, as crianças puderam aprender também sobre os cuidados que devem ter com o corpo e noções de higiene.
Outra atividade bastante instrutiva foi uma entrevista com uma enfermeira, que falou sobre o serviço público de saúde do bairro. “As crianças ficaram muito interessadas, a gente via nos olhinhos delas como estavam atentas às explicações da enfermeira”, lembra a professora. E para trabalhar a disciplina de história, a turma visitou a casa de um casal que mora no Gaspar Mirim há muitos anos - Irineu Abelino dos Santos e Santina dos Santos -, para saber deles como era o atendimento em saúde no passado.
“As crianças fizeram uma entrevista com o simpático casal para saber como era no tempo de criança, quando as pessoas adoeciam. Que tipo de medicamentos utilizavam, quais as doenças mais comuns e as mais perigosas, se havia posto de saúde, hospital, histórias que lhes marcaram, os avanços que ocorreram na área da saúde nos últimos anos”, descreve Jussara. Segundo ela, foi uma tarde inesquecível para as crianças, pois foram recebidas pelo casal com uma mesa de café bem farta e com muitas histórias sobre a infância dos dois.
Jussara também procurou trabalhar as bulas de remédios com as crianças, também como forma de estimular a leitura. “Muitas delas nem tinham bulas para trazer de casa, porque os pais simplesmente jogam fora. Então, procuramos desenvolver neles a importância de lerem a bula antes de ingerir o remédio”, explica a professora. Um recurso de alfabetização que fez sucesso entre os alunos foi o dos jogos. Um deles, o da velha, as crianças precisavam ler as informações contidas nos pratos para colar no lugar certo.
A professora também desenvolveu com eles o corpo humano 3D, que consistiu em um cartaz com o desenho do corpo em que os pequenos deviam colar os órgãos nos locais certos. “Os órgãos eram pedaços de tecidos coloridos e outros materiais, foi bem divertido”, relata Jussara.