Sai ou não a Ponte do Vale?

A única certeza, por enquanto, é o local da obra

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Os gasparenses ainda não sabem quando vão poder cruzar o rio Itajaí-Açu por sobre uma nova ponte. O que eles sabem, por enquanto, é onde ela será construída: no bairro Poço Grande, nas imediações do entroncamento das rodovias Jorge Lacerda e Deputado Francisco Mastella (foto ao lado). Aliás, o bairro que já foi agrícola é a bola da vez quando o assunto é o crescimento de Gaspar. Próximo ao local da Ponte do Vale, como vem sendo chamada a futura travessia, empresas começam a se instalar já prevendo uma saída rápida e menos onerosa para seus produtos pela BR-470. Além disso, os terrenos no Poço Grande supervalorizaram depois da enchente de novembro do ano passado quando o bairro praticamente não foi atingido pela catástrofe.    
A administração anterior (Adilson Schmitt-Clarindo Fantoni) teve tanta certeza que a Ponte do Vale será construída e naquele ponto do Itajaí-Açu que desembolsou R$ 509 mil para desapropriar quatro terrenos – dois em cada margem do rio – que somam área de 30 mil metros quadrados onde serão erguidas as cabeceiras da ponte. O seu sucessor, Celso Zuchi, também garante que aquele é o local definitivo da Ponte do Vale. É possível que uma quinta área venha a ser desapropriada, mas nada é definitivo. O fato é que nenhum morador do Poço Grande vai morar debaixo da ponte.
Enquanto a mais importante e necessária obra viária do Vale do Itajaí não sai do papel, um dos terrenos da margem direita virou sede da Ditran (Diretoria de Trânsito) do município. O que falta agora é dinheiro. Celso Zuchi, assim como o seu antecessor o fez em novembro de 2008, foi à Brasília atrás de verbas para a ponte. Com o projeto debaixo do braço, o prefeito o registrou no Ministério das Cidades, garantindo R$ 6 milhões que podem ser liberados ainda este ano. O dinheiro daria para começar a obra.
Da bancada catarinense na capital federal, Zuchi ouviu a promessa de empenho na tentativa de incluir R$ 23 milhões no orçamento da União para 2010. Se tudo der certo, 50% do problema dinheiro estará resolvido, isto porque a Ponte do Vale vai custar a bagatela de R$ 65 milhões aos cofres públicos, incluindo as duas ligações viárias às rodovias Jorge Lacerda e BR-470. Para 2011, o prefeito pretende pleitear R$ 22 milhões. Para fechar a conta, R$ 14 milhões  viriam da contrapartida da Prefeitura e de uma parceria com o atual ou próximo governador do Estado.

“Novela” se arrasta por dois governos
Limite de travessia para veículos pesados, críticas à falta de fiscalização, campanha “Gaspar pede passagem. Nova ponte já”, protesto interrompendo o trânsito, dezenas de promessas e até bate-boca pela existência de um suposto projeto no primeiro governo Zuchi (2001-2004) são capítulos da novela “Ponte do Vale” que tem como protagonistas duas administrações.
Em 2002, engenheiros civis do DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - emitiram um laudo assustador: a ponte Hercílio Deeke está com sua estrutura fragilizada. Ainda na primeira administração Zuchi, o tráfego foi proibido para veículos acima de 10 toneladas (depois reduzido para 6 toneladas). Para se ter uma idéia, o limite de peso na Rodovia Jorge Lacerda é de 45 toneladas. A falta de fiscalização no cumprimento do decreto gera críticas.
Além de ligação entre as margens do Itajaí-Açu em Gaspar, a quase cinquentenária Hercílio Deeke sustenta as tubulações do SAMUSA e do gasoduto. Daí a defesa de algumas lideranças que mesmo que se construa a Ponte do Vale, a Hercílio precisará ser reformada em breve.

Zuchi afirma que obra pode iniciar ainda em 2010
Por e-mail, a reportagem do Metas nos Bairros fez questionamentos ao prefeito Zuchi.
MB – Pelo que saiu na imprensa, o prefeito entregou um protocolo de intenções para obter recursos para a Ponte do Vale. O prefeito acredita que estes recursos virão?
Zuchi – Não foi entregue um “protocolo de intenções”. Foi entregue o projeto do Executivo da ponte. O projeto será avaliado pelos técnicos do Ministério das Cidades e pode passar por alterações e/ou adequações. Acredito que os recursos estejam garantidos, pois contamos com um forte apoio dos nossos parlamentares em Brasília.
MB – Partindo do pressuposto que parte da verba está garantida, quando a obra começa?
Zuchi – A obra começa após os trâmites legais de avaliação dos técnicos e o processo de licitação. Se não houver imprevistos, em 2010.
MB – Por que Ilhota conseguiu os recursos para a sua ponte antes de Gaspar? Força política?
Zuchi – Não posso responder por atos que antecedem o nosso governo. Não conhecemos os trâmites anteriores ou de outros governos. Conhecemos, sim, o nosso empenho em trabalhar e procurar fazer o melhor por Gaspar. Contamos com o apoio de várias lideranças políticas e somos muito bem recebidos nas esferas estadual e federal.
MB – Algumas lideranças acham melhor e mais rápido recuperar a Hercílio Deeke. O que o prefeito acha dessa idéia?
Zuchi – Respeitamos a opinião de cada um, mas no momento o empenho é pela construção de uma nova ponte. Temos que pensar Gaspar para o futuro, hoje a ponte está no centro da cidade e temos que criar uma segunda alternativa.
MB – Sinceramente, o prefeito acha que a ponte sai ou, no mínimo, inicia a obra nos próximos quatro anos?
Zuchi – Sinceramente, sim. 

Projeto prevê quatro pistas e ciclovia
O projeto da Ponte do Vale foi bancado, inicialmente, pela ACIG (Associação Empresarial de Gaspar), AMPE (Associação das Micro e Pequenas Empresas), CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e empresas privadas. Ele contempla uma ponte de  270 metros de comprimento. A travessia será feita em quatro pistas, incluindo uma de passeio e outra de ciclovia.
No governo anterior foi elaborado o projeto básico, que custou em torno de R$ 70 mil, mais R$ 30 mil de batemetria (medição de profundidade) e sondagem do solo.