Ritmo colombiano rumo a Joinville

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O ritmo da cumbia embala a coreografia bem interpretada pelos bailarinos do Grupo de Dança do Departamento de Cultura de Gaspar.
Estas são as últimas semanas de ensaio e preparação para encarar um novo e grandioso desafio, que marcará a trajetória do grupo: competir no Festival de Dança do Joinville, o maior festival de dança do mundo. Muitas das meninas começaram a dançar nas escolas, algumas já participaram dos palcos abertos do festival - onde não há competição, apenas apresentações - porém nenhuma delas havia enfrentado o palco principal. É agora, com “Cumbia, ritmo colombiano” que elas chegam a este novo patamar. “Quando enviamos o vídeo para a seleção, ainda não conhecíamos tão bem a cultura colombiana e por isso estávamos um pouco inseguros. Ficamos muito felizes quando soubemos do resultado e agora já começou a ansiedade para o festival, que acontece no final do mês”, conta Sandy Silveira, 13 anos, uma das bailarinas.
Letícia Jaine Kremer, 15 anos, explica que entender o significado da dança para os colombianos foi indispensável para poder transmitir este sentimento a quem assiste a dança. Sua irmã, Larissa, destaca que a cultura colombiana se diferencia bastante do que se costuma ver no Brasil. A cumbia é uma dança alegre que também é carregada de sensualidade. “É preciso ser uma brasileira colombiana”, brinca Maria Elisa Tomazini, de 16 anos. Para poder fazer uma boa apresentação, é preciso ter sincronia, técnica e muita força. De acordo com as bailarinas, cada saia leva nove metros de pano e pesa sete quilos e para finalizar o figurino da saia, foi preciso utilizar dois quilômetros de fita, por isso, desde já a saia faz parte dos ensaios, para que as meninas possam se acostumar com seu peso e ter um melhor desempenho na apresentação. “Até nos esforçamos mais nos ensaios por saber que vamos para Joinville. É uma grande responsabilidade representar a região e estamos muito felizes com a torcida que temos”, conta Juliana Kreff Boderes, 15 anos.
Ao contrário das meninas, o coreógrafo Marco Aurélio da Cruz Souza já participou de várias edições do festival e desta vez levará um ritmo diferente para o festival. Ele conta que conheceu a cumbia quando foi participar de um festival de dança na Colômbia e que a dança o conquistou. “Cada dança tem sua técnica. A cumbia exige muita força, mas as meninas não podem demonstrar isso, precisam parecer leves”, relata. Para a outra coreógrafa, Giovana Horstert, participar do festival já é uma conquista para o grupo. “Acredito que esta experiência seja inesquecível para todos, pois é uma honra participar deste festival, o desejo de todo o bailarino é pisar no palco do Festival de Joinville. É um orgulho para os pais e uma grande emoção para nós, professores e estamos todos muito ansiosos”. Ela explica que a dança também é importante no desenvolvimento da autoestima, na formação pessoal e cultural do adolescente, que passa por uma época de grandes mudanças de comportamento. “Com certeza, trabalhar com adolescentes é um desafio, cobrar disciplina e chamar atenção é uma tarefa diária, mas não podemos desistir, pois sabemos que esta é uma fase difícil”, finaliza a coreógrafa.
 

Prefeitura e pais levam a dança adiante

Hoje o Grupo de Dança do Departamento de Cultura de Gaspar possui 58 anos, divididos por categorias: Infantil, Júnior e sênior. No entanto, apenas um grupo irá se apresentar no festival, formado por 17 bailarinos que estão na faixa etária de 13 a 15 anos. Há apenas um menino no grupo Daram, que há poucas semanas passou na seletiva do Balé Bolshoi. Além da “Cumbia, ritmo colombiano”, o grupo apresentará uma coreografia de dança contemporânea nos palcos abertos, a “Aracnídeos”.
O coreógrafo Marco Aurélio explica que a prefeitura cobre as despesas do aluguel da sala de ensaio, salário dos professores e figurino e pagará também a hospedagem e transporte para Joinville. A alimentação será bancada com o dinheiro arrecadado pela Associação de Amigos da Dança, formada por pais e amigos da dança, que vendeu trufas e bebidas na Virada Cultural e no Festival Escolar da Canção.
As coreografias são ensaiadas apenas nas sextas-feiras, embora os ensaios sejam diários durante a semana. Nos outros dias, exercícios de ténica corporal, alongamento, dança contemporânea e jazz fazem parte das aulas.  O grupo já havia tentando participar do festival no ano passado, porém não passou na seleção. Para Marco, a seleção neste anomostra o amadurecimento do grupo.