Reforma em andamento
Motoristas vão precisar ter paciência para cruzar a Hercílio Deeke
Passado mais de meio século da sua construção, a Ponte Hercílio Deeke, única ligação da margem esquerda do rio Itajaí-Açú com a direita em Gaspar, vai receber sua primeira grande reforma. As obras de recuperação já começaram e tem o prazo de um ano para ficarem prontas.
Desde a semana passada, a empresa responsável pela reforma realizou os serviços preliminares, como a preparação do canteiro de obras, a implantação dos andaimes e a limpeza dos pilares. Tudo isso para preparar a estrutura que sustenta o tabuleiro da ponte para receber uma manta feita de fibra de carbono. Os pilares serão encapados com essa manta, que aumentará em 15% sua capacidade máxima de peso.
A próxima etapa, que deve começar na semana que vem, é o reforço das vigas dos passeios da ponte, que devem ser interditados para a execução das obras. Segundo a secretária de Planejamento da Prefeitura Municipal, Patrícia Scheidt, no decorrer das obras, a ponte será interditada somente em meia-pista. E durante esse período, os motoristas deverão ter paciência, pois a tendência é o trânsito na cidade ficar ainda mais complicado. Conforme explica a secretária, a previsão é de que, com as obras, a ponte possa suportar um peso de até 45 toneladas, o que permitirá a volta do tráfego de veículos pesados por sobre a passagem. A travessia para caminhões e outros veículos está proibida há dez anos. Hoje, o controle é feito pelo Ditran, que disponibiliza uma viatura durante 24 horas, na cabeceira da ponte na Margem Esquerda.
Para chegar a outra margem, os motoristas de caminhões precisam, atualmente, fazer a volta pela BR 101 no trevo de Navegantes e vir pela SC 470, ou atravessar Blumenau, para então entrar em Gaspar. Com a ponte novamente aberta, isso facilitará o transporte e o acesso a ambas as margens da cidade.
Números
Além da recuperação da estrutura de concreto, a ponte Hercílio Deeke também terá uma ampliação na largura, reconstrução das cabeceiras - que são as partes mais críticas, nova estrutura de guarda corpo, melhoria na iluminação e pintura. A obra terá o investimento total de R$2,9 milhões.
Desse total, R$2,5 milhões foram repassados pelo Ministério da Integração, e a Prefeitura de Gasapar dará a contrapartida de R$ 484 mil.
História
A reforma ou a construção de uma nova ponte são reivindicações antigas da comunidade gasparense. Várias manifestações foram organizadas e vários governos passaram por ela, sem concretizar uma solução. Este ano, a prefeitura conseguiu a liberação da verba do governo federal para recuperar a ponte que, após a enchente de setembro, teve sua estrutura ainda mais danificada.
Construída no final da década de 1950, no governo de Dorval Pamplona, a ponte foi uma das maiores conquistas da população de Gaspar. Até a construção da passagem, os moradores da Margem Esquerda só conseguiam chegar de um lado a outro da cidade por balsa. Devido à forte correnteza do Rio Itajaí-Açú, a travessia era muito perigosa, e muitos acidentes e mortes aconteciam.
A Ponte Hercílio Deeke simbolizou o progresso da cidade, facilitando o desenvolvimento econômico municipal. Tanto que era um privilégio para os gasparenses serem os primeiros a passar por ela. Quem teve seu nome marcado na história da cidade, como o primeiro a fazer a travessia, foi um morador do Arraial, Elói da Silva. Conta-se que ele teria ficado três dias esperando na cabeceira da ponte, para que ninguém tivesse o privilégio de transpor a Hercílio Deeke antes dele.