Queijinhos e natas no Arraial
Irmãos Rainert trazem essa tradição de família
Os mais conhecidos produtores de queijinho e nata em Gaspar moram no Arraial. Eles são os irmãos Paulo e Vicente Rainert. Desde 2001, eles produzem as especiarias em uma cozinha industrial montada no terreno da mãe, próximo ao Eco Hotel. De lá, saem pacotes e mais pacotes de queijinho e nata, comercializados em diversos mercados da cidade.
A receita, que é de família, é feita pelos dois há muitos anos. A família começou a vida no bairro, queimando carvão. Com o tempo, o negócio deixou de ser rentável e os irmãos Rainert viram que o caminho era investir na produção de queijo e nata, especialidade da mãe. Como ela já tinha algumas vacas, Paulo e Vicente foram aos poucos dando vida ao novo empreendimento. Eles continuaram trabalhando com o carvão, até que a demanda pelos queijinhos aumentou e a opção foi abandonar a carvoaria.
Os irmãos investiram nos laticínios. Construíram a cozinha, para atender às exigências da vigilância sanitária, compraram equipamentos para qualificar a produção e o negócio começou a prosperar. De quatro vacas que tinham inicialmente, passaram para as atuais 14, que produzem em torno de 140 litros de leite por dia - que rendem, em média, 16 quilos de queijo. Porém teve períodos em que o rendimento foi melhor. Com apenas oito vacas, os irmãos Rainert chegaram a tirar 200 litros de leite em um dia.
Tudo é feito pelos dois. Desde o trato das vacas, ordenha, até a embalagem e a entrega do produto. Às vezes, contratam alguns rapazes para ajudar a cortar trato para o gado. Já pensaram em chamar uma irmã para trabalhar com eles, para atender melhor aos muitos pedidos. “Tem sempre gente querendo comprar o queijinho, mas eu não aceitei mais clientes porque não dou conta de produzir tanto”, revela Paulo.
Além deles, o único envolvido é um veterinário de Blumenau, responsável pela saúde dos animais e por atestar o bom estado e a qualidade do produto fabricada na propriedade.
As vacas precisam estar em boas condições, tanto ambientais, como de saúde, para o leite ser de qualidade e produzido em quantidade. Nos dias de chuva, a ordenha fica mais difícil. “Como as vacas ficam com frio, fazem muito esforço para produzir calor e, então, dão muito leite. Sem falar no desconforto que é ordenhar o animal no frio e na chuva”, comenta Paulo.
Em função do trabalho, os dois não têm um dia de folga. A rotina é de domingo a domingo. As vacas têm hora certa para serem ordenhadas. Às três horas da manhã e depois a mesma hora à tarde. Com o leite que tiram da ordenha da manhã, fazem o queijinho à noite, e com a ordenha da tarde, produzem só no outro dia pela manhã. Paulo dorme depois das 22h, praticamente todas as noites, e acorda antes das três da madrugada.
Atualmente, os irmãos estão reformando o rancho e pretendem aumentar a qualidade da produção, fazendo as vacas renderem mais leite. O queijinho é vendido para o mercado a R$4,00 e a nata a R$2,80. E o sabor de comê-lo em um café da tarde com a família, faz valer todo o esforço.
Como se faz
Logo após a ordenha, o leite é desnatado e, em seguida, pasteurizado em uma máquina específica. Então, fica armazenado durante 12 horas para coalhar. Depois disso, é colocado no fogo para aquecer e soltar o soro. O líquido permanece mais um tempo dependurado em sacos para escorrer. Quando está bem seco, o queijinho é resfriado e embalado, após um dia inteiro dedicado à produção.
Enquanto isso, o soro é dado como alimento para o gado. A nata passar por processo mais rápido. Feita da gordura retirada do leite, ela também é pasteurizada e drenada. Depois, é resfriada no congelador, embalada e está pronta para ser consumida. Ambos os produtos possuem validade de 15 dias.