Produtores recuperam prejuízos no campo
Um ano depois, rizicultores estão mais otimistas com a safra
Os rizicultores do bairro Arraial sofreram praticamente 100% de prejuízos na safra 2008-2009 devido à catástrofe ambiental que varreu o Vale do Itajaí no final de 2008. Depois de muito trabalho na recuperação das lavouras alguns produtores já comemoram o sucesso da safra 2009-2010, com excelente produtividade nas suas lavouras antes mesmo da colheita do arroz ressoca ou rebrote, como se diz na linguagem técnica. O bairro é responsável por aproximadamente 5,5% da produção de arroz em Gaspar, sendo que 16 famílias plantam o cereal na localidade. “Os fatores climáticos foram fundamentais para o resultado positivo desta safra, entretanto a utilização de tecnologias e manejos adequados por parte dos agricultores também influenciaram na colheita”, explica o engenheiro agrônomo da Epagri, Josi Prestes. A previsão é que os rizicultores do Arraial colham aproximadamente 33.700 sacas do arroz neste ano.
O agricultor José Werner conta que seu filho, Adolar, conseguiu uma média de produtividade de 180 sacas por hectare em alguns trechos dos cerca de 90 hectares que cultiva. “Finalmente um pouco de sorte para o homem do campo”, diz Werner com um semblante mais aliviado do que há um ano atrás quando perdeu todo o arroz que semeou.
A boa safra serve para compensar os gastos que os produtores tiveram para recuperar as quadras de arrozeiras, valas e ribeirões. Muitos trechos precisaram ser desassoreados mais de uma vez porque as chuvas fortes de verão levaram novamente o barro e as pedras para dentro das quadras, o que obrigou investimentos no re-nivelamento e limpeza das áreas, pois a enxurrada trouxe muitas pedras, areia e árvores.
Para o produtor rural Francisco Simão, o prejuízo da safra passada ainda não foi superado, e ele nem imagina quando poderá recuperar tudo o que investiu para poder plantar novamente no bairro Arraial. O terreno onde ele planta fica numa das áreas mais atingidas pela enxurrada de 2008, e o tempo gasto para recuperá-la provocou um grande atraso no plantio da safra deste ano. Isto, explica o rizicultor, “reduziu a produtividade, além de aumentar a incidência das pragas na lavora”. Determinadas áreas ainda não foram totalmente limpas para a safra deste ano, mas o agricultor garante que para 2011 já estarão em condições de plantio.
Missa será celebrada para agradecer a farta colheita
Há mais de um ano parecia que tudo estava perdido para as mais de 300 famílias de rizicultores de Gaspar, uma boa parte na região dos bairros Lagoa e Arraial. Um cenário desolador, desenhado por uma enxurrada e avalanches de terra que levou embora mais de 60% da safra 2009. Hoje, a realidade é outra. A colheita atingiu 600 mil sacas de arroz irrigado. Já é uma das melhores safras dos últimos anos no município. Tão boa que até uma missa de ação de graças será celebrada no dia 6 de junho na Capela Santa Terezinha. Os agricultores vão agradecer a boa colheita deste ano. O evento é organizado pelo Conselho Rural, Sindicato Rural e Secretária de Agricultura.
O único senão nesta safra de fartura é o preço da saca do arroz irrigado no mercado, hoje comercializada a R$ 28,00. Se ficasse acima de R$ 30,00 estaria excelente. “Preços maiores pagos ao produtor permitiriam mais investimentos na atividade. Entretanto, por ser um produto da cesta básica e o Brasil ser auto suficiente no grão, a tendência é não termos grandes aumentos de preço”, afirma Josi.
Memso assim, o engenheiro agrônomo da Epagri, em entrevista ao Jornal Metas no mês de março, disse que a rentabilidade das lavouras mostra que a rizicultura ainda é uma atividade viável, principalmente para quem é proprietário de terras. Finalizada colheita, as atenções se voltam para a ressoca ou rebrote como se diz na linguagem técnica.
“As arrozeiras ocupam uma área de 3.400 hectares em Gaspar”(fonte: Sindicato dos Proutores Rurais de Gaspar.