Pódio da superação
O exemplo de atleta em quase 30 anos de atletismo
Antes de completar 20 anos de idade, Gilberto Manoel Conink trabalhava numa propriedade rural em
Ilhota onde cortava cana, capinava, limpava pasto e cercava os bois para levá-los ao confinamento no final do dia. Conink corria de um lado para outro atrás dos animais. Este foi o seu primeiro contato com o mundo das corridas, pois acredite ou não de tanto correr atrás do gado no pasto, Conink acabou se identificando com o atletismo. No final do expediente, vestia calção, camiseta, tênis ou mesmo de pés descalços e corria pelas estradas do interior de Ilhota. A primeira prova oficial foi a Corrida dos Agricultores. Conink subiu ao pódio com o terceiro lugar.
Daí pra frente, o “Forrest Gump” de Gaspar não parou mais de correr. Ele arrumou emprego na fábrica da Ceval (atual Bunge) onde trabalha há 31 anos, mudou-se para o Poço Grande e passou a treinar com o professor de Educação Física da empresa, Leo Borba, os 100 e 200 metros rasos, além do revezamento
4x100 metros, o que deu condições para que participasse dos Jogos Abertos de Santa Catarina.
Se fosse somar a distância que percorreu nas provas e treinamentos nestes 28 anos como atleta, daria para ir e voltar três vezes ao Oiapoque (o ponto mais ao extremo norte do Brasil). Aos 54 anos e com cabelos grisalhos, Conink dá mostras de que a idade não vai tirá-lo do circuito de corridas, só do trabalho na Bunge já que a boa notícia deste início de ano fora das pistas é a confirmação da aposentadoria depois de três décadas de trabalho na empresa do Poço Grande, sendo os últimos 10 como responsável por toda a logística da associação dos empregados.
Os cuidados com o físico e a saúde dão ao atleta a oportunidade de continuar buscando vitórias para a sua extensa galeria de troféus e medalhas que, segundo ele, reúne mais de 400 peças. “Vou correr até quando meu corpo suportar”, afirma Conink enquanto o sol e o calor de uma quinta-feira, véspera de feriado, castigam seu corpo em mais um dia de treinamento. A disciplina, diz ele, é fundamental para os
resultados, além, é claro, da satisfação de fazer o que se mais gosta, e para ele correr é quase tão importante como o ar que respira. “É uma sensação de liberdade”. Além disso, Conink diz que a prática de qualquer esporte onde se busca a superação dos próprios limites ajuda em outros desafios do dia-a-dia, inclusive no trabalho.
Carinho e gratidão ao patrocinador
O cartel de corridas de Conink é de respeito. Foram 35 maratonas, 25 mini-maratonas, incluindo a famosa São Silvestre e quase uma centena de provas no Vale do Itajaí e outras regiões do Estado. A extinta Maratona de Blumenau traz as maiores recordações ao atleta gasparense, porque foi justamente nesta prova em que ele mais precisou usar da sua técnica e preparo físico.
“Foi em 1996 quando disputei passada a passada com um atleta o 6º lugar, que me daria o pódio. Acabei superando o adversário”, conta Conink. Foi também nesta época que a Bunge passou a ajudá-lo, custeando o material de corrida, passagens e estadia para a disputa de provas fora do Estado. Há três anos, a marca Cyclus, que reúne toda a linha de produtos alimentares que remete a hábitos de vida saudável da empresa, assumiu o patrocínio do atleta. “Tenho um carinho e uma gratidão muito grande pela empresa e por essa marca. Ela faz parte da minha vida”, afirma. Conink treina de segunda a sábado, em média, 1h30min por dia. Só não corre mais na Rodovia Jorge Lacerda porque a estrada se tornou muito perigosa.
“Por segurança, prefiro treinar na pista atlética da associação da Bunge”, explica o atleta. “Vou até quando o meu corpo suportar.”
Gilberto Manoel Conink