Pedras no caminho
Moradores revelam a origem da curva da pedreira
A Luiz Franzói é uma das principais ruas do bairro Margem Esquerda. Depois de novembro do ano passado, particularmente uma parte dela virou manchete na imprensa local e regional. Com as chuvas e avalanches de terra, uma enorme cratera, de aproximadamente 18 metros de diâmetro abriu-se exatamente na conhecida “curva da pedreira”. No mês de setembro, mais de nove meses depois do desmoronamento, a obra de recuperação foi concluída e o trânsito de veículos e a passagem de pedestres normalizados.
Embora a denominação curva da pedreira possa sugerir que havia no local uma empresa que explorava a retirada de pedras do morro, os mais antigos moradores contam que a exploração havia, porém era feita pela próprioa comunidade que naquele tempo escavava o morro sem nenhuma preocupação com a questão ambiental. Possivelmente a curva da rua se tornou ainda mais acentuada em função da grande quantidade de pedras retiradas do local.
Anita Eskelsem, 48 anos, nasceu na Rua Luiz Franzói e mora a poucos metros da Curva da Pedreira. Ela confirma que uma grande quantidade de pedras foi retirada do morro pelos moradores da vizinhança e até de outros bairros. As pedras, segundo ela, eram utilizadas na construção do fundamento de casas, comércio e até de igrejas. Anita conta que o seu avô retirou muitas pedras do morro para construir a primeira casa da família. Hoje, a exploração da curva da pedreira é apenas uma lembrança para Anita e outros moradores mais antigos. Com leis ambientais mais rígidas e recursos técnicos mais sofisticados, o morro da pedreira, felizmente, foi abandonado. A vegetação renasceu e até uma bela casa está sendo erguida no alto do morro, com bela vista da cidade.
Pavimentação há 15 anos
A Luiz Franzói foi pavimentada há mais de 15 anos. Anita conta que a rua era um caminho muito estreito de terra com várias cancelas que dividiam as propriedades rurais. O único meio de transporte que circulava eram as carroças, charretes e bicicletas. Hoje, a paisagem é outra e o movimento de veículos tão intenso que preocupa os moradores.
A rua se tornou uma alternativa rápida de acesso à BR-470. Anita diz que acontecem poucos acidentes no local. “Os motoristas que trafegam diariamente pela rua diminuem a velocidade ao se aproximarem da curva porque sabem que é perigoso”.
Alice Isensee, vizinha de Anita, discorda. Para ela, a maioria dos motoristas que trafega por aquele trecho da Luiz Franzói é impaciente e imprudente. “Eles correm demais”, diz a dona-de-casa. Alice também reclama do barulho e das seguidas festas realizadas na Sociedade União, localizada logo após a curva da pedreira. “Em dias de festa isto aqui vira uma bagunça e incomoda a vizinhança que quer sossego”, desabafa a moradora.